sexta-feira, 1 de junho de 2012

Digerindo Penas, de Flavio Aquistapace




Digerindo Penas
Flavio Aquistapace
Editora Patuá, 2012


Ao adquirir uma grave doença, um câncer, por exemplo, sem saber ao certo sua extensão e nem mesmo se ele o torna um paciente terminal, embora tudo paulatinamente indique que sim, confinando-o lentamente entre hipóteses tão mais absurdas porque mais palpáveis e concretas, subitamente, você se vê submetido a uma obsessão, uma loucura pela cura. Nada mais interessa em sua vida e, todo o seu tempo é, de uma hora para a outra, reordenado e regido na sua pulsão maior pelo corpo íntegro, distinto do que o ataca, o defenestra, despedaça. (p. 14-15)

Uma obra de difícil classificação é Digerindo Penas,  de Flavio Aquistapace, pela Editora Patuá, parceira da Biblioteca.
Sim, um romance. Mas não um romance convencional. Com referências a Kafka, Pessoa e Buber, entre outros, o autor passa rapidamente do romance para o teatro, o conto, a poesia e mesmo a correspondência, construindo uma obra altamente fragmentária e singular. Cada parte pode ser lida de forma independente, mas que em conjunto nos mostram a vida de Bruno Mantegão.

 

Ao mesmo tempo, é Bruno Mantegão, de 33 anos, quem está escrevendo um romance chamado Digerindo Penas, que tem uma relação muito próxima com o pai mas não com a mãe, com quem busca uma reaproximação (e se chama Nadinha...). A rejeição ("Quando você nasceu, Bruno, foi muuuuita frustração para mim. Muita!") é apenas um dos muitos fios condutores da história de Bruno/Flavio - uma verdadeira fratura exposta. É mais uma aposta da novíssima literatura brasileira.

2 comentários:

  1. Fábio, conheci hoje seu blog. Um trabalho excelente você está realizando aqui. E o livro do Flávio é mesmo muito bom. Vou continuar acompanhando suas postagens. Abraço

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