quinta-feira, 24 de maio de 2012

No One is Here, Except All of Us, de Ramona Ausubel


No One is Here Except All of Us book cover

No One is Here Except All of Us
Ramona Ausubel
Riverhead Books



A dica desse livro saiu no blog da Absynthe; li na versão Kindle. 

A autora, americana do Novo México, se inspirou nos relatos de sua avó romena. Nos Cárpatos, ao norte da Romênia, nove famílias vivem em Zalischik. Quem nos narra a história é Lena, de 11 anos, filha mais nova de um casal que planta repolhos. Eles vivem isolados do resto do mundo.



Em 1939, com o início da guerra, os adultos ficam apreensivos. Na noite de 3 de setembro, encontram uma mulher às margens do rio - essa mulher será sempre chamada de "estranha" - que relata os horrores que presenciou -  seu vilarejo arrasado do mapa; seus pais, irmã, marido e filhos assassinados, com requintes de crueldade.

O pânico aumenta, e surge então a ideia que irá agradar a todos: refundar o mundo. Como se fizéssemos um "control-alt-del", e tudo começasse novamente. Isso ocorre nas primeiras páginas, enquanto os habitantes acompanham a leitura do Genesis. A população faz uma força tremenda para realmente acreditar nisso.

Assim, acatando a ideia de Lena, negam qualquer relação com o mundo exterior; ignoram tempo e história. Empregos, maridos, uma criança é "realocada". Vivem por alguns anos nesse idílio.

Algumas oportunidades não podem ser desperdiçadas: umas mulheres trocam de maridos. Lena é "dada" como filha para os tios - e é interessante ver como ela é obrigada a virar (mais) criança, e rapidamente se tornar uma jovem noiva, para que a nova mãe, Kayla, quer "sentir a maternidade". Ela sempre estará em contato com seus quatro pais. Ela se casa com um sujeito, tem dois filhos (os primeiros a nascer no novo mundo...). Igor, porém, é incapaz de suportar o fardo da paternidade. 

A primeira parte do romance tem esse tom de fantástico; a vila consegue permanecer alheia à guerra. O celeiro se torna um templo; no teto é pintado um céu estrelado. Esse lado fantástico, em tom de fábula, lembra A Noiva do Tigre de Tea Obreht (e, como este, é o seu romance de estreia, mas bastante superior). As cabras, os casamentos, o vilarejo - tudo lembra (como muitos críticos notaram) as imagens de Chagall.


Mas, obviamente, isso não duraria para sempre. A "estranha", ficamos sabendo, acompanha as notícias do "velho mundo" pelo rádio. E, quando a guerra finalmente chega aos habitantes do "novo mundo", o marido é imediatamente feito prisioneiro - outro momento interessante é sua relação com Francesco, que o capturou.

A partir daí, a história toma outro rumo. Um realismo nada fantástico; já não há aquele tom de fábula. O destino dos filhos (Solomon, o mais velho, e seu irmão, "The Beautiful Baby") é terrível, como também o da população do vilarejo, dizimada e metralhada ou desaparecida no rio.

E essa habilidade em caminhar entre duas formas, a fábula e o realismo, tão diversas de contar uma história trágica, é o grande achado da autora, além de uma prosa bastante refinada:

 "I felt like a vessel, the container itself meaningless, yet into it people kept pouring ashes, tears, blood, and calling me holy. As much as I wanted to explain the mistake, I knew they would brush me aside. A person who wants to believe lives in a world full of proof."







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