Pular para o conteúdo principal

Mar de Histórias



Mar de Histórias. Antologia do Conto Mundial. Coleção em 10 volumes. Nova Fronteira


Aurélio Buarque de Holanda e Paulo Rónai reuniram em dez volumes nada menos que 242 contos, escolhidos entre 195 autores de mais de 40 países, e foram responsáveis pela apresentação de vários deles ao leitor brasileiro. A 1ª edição do 1º volume é de 1945. Ao que me consta, desde 1998 encontra-se esgotada.

Em todos os contos, há um pequeno prefácio que não apenas apresenta o autor, como também indica o texto utilizado para a tradução. A partir daí, descobri autores como Saki, Akutagawa e L'Isle Adam, para citar alguns mais esquecidos.

Evidentemente, diante de uma coletânea deste porte, não se deve esperar grande regularidade; como toda antologia, pode ser avaliada tanto pelo que apresenta como pelo que exclui... mas o saldo é amplamente positivo.

 

De Saki, por exemplo, há dois contos no nono volume: A Porta Aberta, que em 1989 virou curta nacional (da época do Sarney - quem, com mais de 35 anos, não se lembra daqueles curtas que obrigatoriamente assistíamos antes dos longas? -  e, por incrível que pareça, vale a pena ser visto, dirigido por Aluísio Abranches e com Marieta Severo e José Wilker), e O Contador de Histórias, que hoje pode ser lida como uma crítica bem humorada ao politicamente correto. Aqui, duas crianças perdem a paciência com uma história, contada pela tia durante uma viagem de trem. Um passageiro, que dividia a cabine com as três e bastante aborrecido não apenas com a história da tia mas também com a algazarra das crianças, aposta com a mulher que conseguirá entretê-las por alguns minutos - e o faz, contando uma história nada edificante...



Comentários

  1. Talvez Tchekov seja o contista mais sintético e cotidiano dos retratados em antologias. A Dama e o Cachorrinho, obra prima em meia duzia de paginas em edição de bolso (LP&M editores) é um exemplo. Mas poucas vezes um filme consegue retratar um conto com a sensibilidade desta reliquia sovietica "The lady and the little dog" disponivel no You Tube. O elenco (desconhecido para nós) e a trilha sonora são inesquecíveis.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O conto da semana, de Italo Calvino

O conto da semana é novamente de Calvino – Quem se contenta – e integra Um General na Biblioteca : Havia um país em que tudo era proibido. Ora, como a única coisa não-proibida era o jogo de bilharda, os súditos se reuniam em certos campos que ficavam atrás da aldeia e ali, jogando bilharda, passavam os dias. E como as proibições tinham vindo paulatinamente, sempre por motivos justificados, não havia ninguém que pudesse reclamar ou que não soubesse se adaptar. Passaram-se os anos. Um dia, os condestáveis viram que não havia mais razão para que tudo fosse proibido e enviaram mensageiros para avisar os súditos que podiam fazer o que quisessem. Os mensageiros foram àqueles lugares onde os súditos costumavam se reunir. - Saibam – anunciaram – que nada mais é proibido. Eles continuaram a jogar bilharda. - Entenderam? – os mensageiros insistiram – Vocês estão livres para fazerem o que quiserem. - Muito bem – responderam os súditos – Nós jogamos bilharda. Os mensagei...

Conto da semana: Nikolai Karamzin

O conto da semana é de Nikolai Karamzin e inaugura a incrível Nova Antologia do Conto Russo organizada por Bruno Barretto Gomide. A tradução é de Natalia Marcelli de Carvalho e Fátima Bianchi. Karamzin é pouco conhecido, não apenas no Brasil, mas no Ocidente como um todo. Na Rússia, no entanto, é reverenciado como o autor de uma monumental História do Estado Russo .  Nobre de origens tártaras, teve grande reputação também como jogador de cartas; lia de filosofia alemã aos romances franceses da época. Em sua única viagem à Europa, consta que bateu um papo em Konigsberg com Kant e assistiu aos discursos de Robespierre e Mirabeau na Assembleia Nacional, em Paris. Essa viagem originou as Cartas de um Viajante Russo , e foi catapultado à condição de líder do sentimentalismo russo.  Seu conto mais conhecido é esse Pobre Liza, tido como uma obra fundamental da ficção russa, em que uma camponesa é seduzida e abandonada por Erast e que ao final se atira de uma ponte em...

A Montanha Mágica, de Thomas Mann

  Meu primeiro Thomas Mann foi Os Buddenbrooks , ainda durante a faculdade. Alguns anos depois, a trilogia José e seus Irmãos, As confissões do Impostor Felix Krull, A Morte em Veneza e, recentemente, Doutor Fausto. Mas faltava o que para muitos é o seu melhor trabalho.  A descoberta do Raio X, em 1895, permitiu o diagnóstico precoce da tuberculose, ainda que, em 1907, a única forma de tratá-la era a internação em sanatórios.  Thomas Mann acabara de publicar  A Morte em Veneza  quando, acompanhado de sua esposa, esteve em Davos. Lá surge a ideia para  A Montanha Mágica. O Sanatório Berghof hospeda uma amostra d a sociedade europeia do início do século XX. Lá está Joachim Ziemssen. E é para lá que o engenheiro Hans Castorp, exausto com seus estudos e prestes a iniciar sua vida profissional, se dirige. Saudável – ao menos é o que pensa - sua ideia é visitar o primo e passar cerca de três semanas. Ao longo das mais de 820 páginas da minha edição da Companhia d...