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"No", de Pablo Larraín




O filme No, do chileno Pablo Larraín (Chile, 1976), em cartaz (ao menos aqui, em Belo Horizonte) neste início de ano, merece ser visto com atenção. Com a participação do mexicano Gael Garcia Bernal no papel de René Saavedra, um publicitário de respeito, o filme mostra a campanha do plebiscito que determinou, em 1988, o fim do regime de Pinochet. A princípio reticente, acaba entrando na campanha, enquanto seu chefe adere ao Sim.

O filme é baseado em romance de António Skármeta. Larraín consegue escapar com facilidade de um previsível panfleto partidário. Ele próprio já disse em entrevistas ter crescido entre os prováveis optantes do Sim (pró-regime), uma vez ser filho de senador "da direita", só tendo consciência do que acontecia por volta dos seus 15 ou 16 anos.

No foi selecionado para representar o Chile no Oscar de 2013, uma ideia fixa de nós brasileiros. Fez muito sucesso entre a crítica americana e, parece, em Cannes, o que pode ser um indicador favorável. O filme merece. Com imagens da época, acabamos entrando nos bastidores da campanha do Não (que acabou vencendo) e também do Sim.

Vale a pena prestar atenção na falta de humor do grupo do Não, que René tenta com sucesso mudar: para ele, era necessário colocar um pouco de leveza e humor na campanha, algo que o pessoal da esquerda via como desrespeitoso. 

Mas há algo estranho - o filme começa com René apresentando um trabalho para um grupo de empresários; um comercial de refrigerantes. No final, uma campanha para o lançamento de um programa de televisão. Em ambos os casos, o mesmo discurso sem sentido - "o Chile está olhando para frente"... "as pessoas estão preparadas para novas coisas" e tal. Bom, em momento algum da história René é apresentado como um idealista ou um opositor ao regime. Ele é o primeiro a dizer, em uma reunião da oposição, que a campanha proposta é horrorosa. Contra hinos patrióticos ou esquerdistas, ele propõe jingles. E sempre mantendo uma distância  - há apenas um marejar de olhos ao final, quando atravessa a multidão em êxtase pela vitória da oposição. Talvez para ele se tratasse apenas disso - mais um produto a ser vendido.

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