sábado, 3 de novembro de 2012

Mark Boog

Do Poesia Ilimitada, um poema do holandês Mark Boog (1970). A tradução é de Maria Leonor Raven-Gomes.

TEMPO

Não conseguimos enxergar onde estamos, mas sobre
esse assunto lemos livros - helicópteros que não levantam voo.

Podemos modificar o tempo: por palavras, em nada, no presente,
nas nossas cabeças. Tempo, leitor, é teoria que nos suporta.

Desapareceram palavras onde nós estávamos, brancas figuras
humanas na fita preta da máquina de escrever. Marcados,
continuamos.

Rastejando pelos montes do tempo que nos impedem a vista,
enferrujando nos sifões do tempo: sumiram-se palavras!

A fita, a paisagem, a máquina: desfiguramo-las.
Resta-nos o prazer da serrazina, o descanso do marcado a ferro

e a monumental  fuga em metáforas, em lúcida incompreensão. 

Um comentário:

  1. Uma escrita rigorosa aliada a criação de imagens fortíssimas e sobretudo originais e que tem tudo a ver com os tempos em que vivemos.

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