sábado, 19 de novembro de 2011

A História Trágica do Doutor Fausto, de Marlowe



FAUSTO

Ouve-mos ler então: “Nos termos seguintes: primeiro, que Fausto haja de ser um espírito em forma e substância; segundo, que Mefistófeles o sirva e esteja às suas ordens; terceiro, que faça e lhe traga tudo quanto deseje; quarto, que se conserve em seus aposentos ou em sua casa, mas invisível; último, que apareça ao dito João Fausto todas as vezes e sob todas as formas e aspectos que este deseje. Eu, João Fausto, de Wertenberg, doutor, dou pelo presente, tanto o corpo como a alma a Lucifer, príncipe do Oriente, e a seu ministro Mefistófeles; e mais lhe concedo, expirado o prazo de 24 anos, e mantidos os artigos acima indicados sem violação, plenos poderes para virem buscar e levar o dito João Fausto, corpo e alma, carne, sangue e bens, para a sua habitação, onde quer que ela seja. Eu, João Fausto (p. 60-61).

Consta que a primeira obra literária a respeito surgiu em meados do século XVI, na Alemanha – Historia von D. Johann Fausten – e que o personagem teria sido um médico em Wittenberg, famosa cidade universitária onde Lutero ensinou.

Em geral, temos mais referências do Fausto de Goethe, mas é de Christopher Marlowe, The Tragical History of Life and Death of Doctor Faust, publicado em 1604. A Editora Hedra, parceira da Biblioteca, publicou este ano a versão traduzida por A. de Oliveira Cabral. Até onde eu sei, o único filme feito a partir de Marlowe é de 1967, dirigido por Richard Burton (e que não vi).



O Fausto de Marlowe, contemporâneo de Shakespeare, assina o pacto com seu sangue, depois de apresentar algumas dúvidas. Passará os próximos 24 anos visitando o Papa, a corte lhe observar/ Na festa de São Pedro tomar parte. Fausto se diverte pregando peças. Visita o Imperador do Sacro Império Romano, a quem apresenta ninguém menos que Alexandre Magno. Outro momento interessante é o da apresentação dos Sete Pecados Mortais.

Mas á medida que o tempo se esvai, volta a se angustiar com o pacto. Pede possuir Helena de Troia – Foi este o rosto que lançou no mar mil barcos. E, quando o Diabo vem cobrar o que lhe é devido (Estás condenado, Fausto. Desespera e morre!/ O Inferno reclama os seus direitos) e pede clemência:

Ah! Fausto,
De vida, uma só hora agora tens,
E então estarás perdido eternamente!
Parai, esferas do Céu sempre moventes,
Cesse o tempo e não chegue a meia-noite

E, à meia-noite:

Soou! Soou! Corpor, desfaz-te em ar,
Ou Lucifer te arrasta para o Inferno...

(Trovões e relâmpagos)

Oh, alma, torna-te em gotinhas de água,
E cai no mar, pra não ser’s mais achada”

(Entram diabos)

Meu Deus! Meu Deus! Não me olheis tão ferozes!...
Cobras, serpentes: que eu respire um pouco!;;;
Fecha-te, Inferno! Lúcifer, não venhas!...
Eu queimo os livros...ah...ah!...Mefistófeles!...

(Saem os diabos com FAUSTO).

O Fausto de Marlowe não tem a sorte do Fausto de Goethe, que acaba tendo sua alma salva.

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