quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um poema de Luiz Dias Bahia

Segredos


CENTELHA


Mormaço. Congonhas: os anjos da igreja
suavam nas cinturas obesas.
De pedra-sabão: minha sombra.
Pelo passeio íngreme
despencavam vogais do meu nome.
Beco: janelas nuas, como vento entalhado.
Mas era Chopin quem colhia
mortes agudas no eco desses ou-
vidos idos idos. Ia a rua estreita.
Susto - esquina, sentada
você corava uma simplicidade
vermelha como as entranhas
das pétalas pelo chão. 


(Segredos, Editora LGE, Brasília, 2011)

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