sexta-feira, 23 de setembro de 2011

O Fantasma e Mário Benedetti



O conto da semana – O dezenove – está na Antologia Pan-Americana, organizada por Stéphane Chao e editada pela Record.

Anos depois da redemocratização, o prisioneiro 19 encontra o Capitão Farías, que o supunha morto, atirado de um avião sobre o oceano, prática comum às ditaduras sulamericanas. Evidentemente, o encontro deixa o militar absolutamente atordoado.

O 19 não quer dinheiro – mas sim conhecer a família do seu incompetente algoz. Quer conhecer as crianças.

- Isso nunca (...) Ora, não me force a assumir uma atitude violente. Não faria bem nem a você nem a mim.
- A mim por quê? Não há nada mais violento que entrar no mar como eu entrei.

O militar se dá por vencido: ambos vão para a sua casa, para o almoço. Conhece as crianças – a esposa já havia falecido. E, para Faría, aquela presença está ali apenas para assombrá-lo.  Chorando muito, grita-lhe: Fantasma!

Ao que o 19 responde:

É óbvio, rapaz. Sou um fantasma. Finalmente me convenceu. Agora limpe o ranho e vá chorar no ombro de sua mulherzinha. Mas não lhe diga que sou um fantasma, porque ela não vai acreditar.

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