Pular para o conteúdo principal

Teoria de Tudo (2014), de James Marsh




Esta é não apenas uma história sobre o Stephen Hawkins, mas dele (Eddie Redmayne) e sua primeira mulher, Jane (Felicity Jones). Sim, ela é tão "personagem principal" quanto ele, indicado para o Oscar de melhor ator. Seu desempenho, principalmente a partir do avanço da doença, é realmente notável. As expressões com que consegue mostrar a degeneração física são impressionantes.

Tal como outras adaptações de vidas ao cinema, esta também parece ter sido bastante camarada com o biografado. É certo que sua separação, já no final do filme, não foi tão delicada como parece - e, sim, ficamos todos com  repugnância de sua atitude em trocar Jane, que abdicou de sua vida para acompanhá-lo (quando se casaram, ele já estava condenado), por Elaine (enfermeira "predadora", contratada para ajudar o casal, e interpretado por Maxine Peake).

Se Eddie faz jus à indicação ao Oscar, o desempenho de Felicity é igualmente notável. Sua dedicação ao marido, e mesmo sua luta para permanecer junto a Stephen, ao mesmo tempo em que se aproxima do músico da igreja (eles se casam após a separação dos Hawkins), sua frustração com a falta de contato sexual com o marido - e, impressionantemente, tiveram três filhos - enfim, uma atuação elegante e sem afetação.

Algumas cenas bem boladas - como a xícara de café com leite e a ideia dos buracos negros (são várias as associações entre as ideias do cientista e coisas mais prosaicas, como um teto da universidade). 

E, de quebra, visitamos Cambridge. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O conto da semana, de Italo Calvino

O conto da semana é novamente de Calvino – Quem se contenta – e integra Um General na Biblioteca : Havia um país em que tudo era proibido. Ora, como a única coisa não-proibida era o jogo de bilharda, os súditos se reuniam em certos campos que ficavam atrás da aldeia e ali, jogando bilharda, passavam os dias. E como as proibições tinham vindo paulatinamente, sempre por motivos justificados, não havia ninguém que pudesse reclamar ou que não soubesse se adaptar. Passaram-se os anos. Um dia, os condestáveis viram que não havia mais razão para que tudo fosse proibido e enviaram mensageiros para avisar os súditos que podiam fazer o que quisessem. Os mensageiros foram àqueles lugares onde os súditos costumavam se reunir. - Saibam – anunciaram – que nada mais é proibido. Eles continuaram a jogar bilharda. - Entenderam? – os mensageiros insistiram – Vocês estão livres para fazerem o que quiserem. - Muito bem – responderam os súditos – Nós jogamos bilharda. Os mensagei...

Conto da semana: Nikolai Karamzin

O conto da semana é de Nikolai Karamzin e inaugura a incrível Nova Antologia do Conto Russo organizada por Bruno Barretto Gomide. A tradução é de Natalia Marcelli de Carvalho e Fátima Bianchi. Karamzin é pouco conhecido, não apenas no Brasil, mas no Ocidente como um todo. Na Rússia, no entanto, é reverenciado como o autor de uma monumental História do Estado Russo .  Nobre de origens tártaras, teve grande reputação também como jogador de cartas; lia de filosofia alemã aos romances franceses da época. Em sua única viagem à Europa, consta que bateu um papo em Konigsberg com Kant e assistiu aos discursos de Robespierre e Mirabeau na Assembleia Nacional, em Paris. Essa viagem originou as Cartas de um Viajante Russo , e foi catapultado à condição de líder do sentimentalismo russo.  Seu conto mais conhecido é esse Pobre Liza, tido como uma obra fundamental da ficção russa, em que uma camponesa é seduzida e abandonada por Erast e que ao final se atira de uma ponte em...

A Montanha Mágica, de Thomas Mann

  Meu primeiro Thomas Mann foi Os Buddenbrooks , ainda durante a faculdade. Alguns anos depois, a trilogia José e seus Irmãos, As confissões do Impostor Felix Krull, A Morte em Veneza e, recentemente, Doutor Fausto. Mas faltava o que para muitos é o seu melhor trabalho.  A descoberta do Raio X, em 1895, permitiu o diagnóstico precoce da tuberculose, ainda que, em 1907, a única forma de tratá-la era a internação em sanatórios.  Thomas Mann acabara de publicar  A Morte em Veneza  quando, acompanhado de sua esposa, esteve em Davos. Lá surge a ideia para  A Montanha Mágica. O Sanatório Berghof hospeda uma amostra d a sociedade europeia do início do século XX. Lá está Joachim Ziemssen. E é para lá que o engenheiro Hans Castorp, exausto com seus estudos e prestes a iniciar sua vida profissional, se dirige. Saudável – ao menos é o que pensa - sua ideia é visitar o primo e passar cerca de três semanas. Ao longo das mais de 820 páginas da minha edição da Companhia d...