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Conto da semana, de Georgi Gospodinov

Da antologia organizada por Aleksandar Hemon (BEF 2010), And All Turned Moon, do búlgaro Georgi Gospodinov. A história de Castor P. que, um dia, já bastante cansado de tudo, resolve morrer. Nada de muito surpreendente neste mundo imaginado por Gospodinov. Um planeta povoado de réplicas envelhecidas de Angelina Jolie e Brad Pitt; onde há muito tempo já não existe o que se costumava chamar de natureza (as abelhas desapareceram e, com elas, as árvores e flores). As estações do ano já não existem mais. Logicamente, a burocracia permanece mais viva do que nunca. Assim, apesar de Castor possuir um plano de saúde que lhe garantiria ainda mais 55 anos, decidiu que, aos 79 (mesma idade de seu pai e seu avô) já não tinha mais o que fazer por aqui. Logo, o Escritório Central dos Últimos Desejos e o Departamento para Finalização da Existência na Terra são as repartições a que todos devemos nos reportar nestes momentos. Basta preencher alguns formulários e aguardar o prazo regulam...

Editora Patuá comemora 1 ano

A Virada, de Stephen Greenblatt

Li pelo Kindle. Esse livro deve sair no Brasil em 2012, pela Companhia das Letras, como A Virada . Stephen Greenblatt é conhecido como o autor de livros sobre Shakespeare ( Como Shakespeare se tornou Shakespeare ). Um livro de “não ficção” como só os americanos (e ingleses) sabem escrever, e que nos prende a atenção como se estivéssemos lendo um romance dos bons. No início do século XV, depois de séculos sofrendo de fome, guerras e peste, a Europa Ocidental tentava respirar. Os humanistas iniciavam as buscas pelos originais gregos e latinos que se perderam durante a Idade Média. Greenblatt conta a história de Poggio Bracciolini, secretário papal (numa época em que os papas eram assassinados ou depostos), e sua busca pelas bibliotecas dos mosteiros na Alemanha e na Suíça de rolos de pergaminho perdidos. Em 1417, no sul da Alemanha, provavelmente em Fulda, descobriu o poema Da Natureza das Coisas (De Rerum Natura) de Lucrécio, discípulo de Demócrito e de Epicuro. Este texto...

Uma pergunta de Jonathan Safran Froer

São crianças, com freqüência, que querem ter cães. Em um estudo recente, quando solicitadas a citar os 10 “indivíduos” mais importantes de suas vidas, crianças entre 7 e 10 anos incluíram uma média de dois animais de estimação. Em outro estudo, 42 por cento das crianças de cinco anos de idade mencionaram espontaneamente seus animais de estimação em resposta à pergunta ‘Quem você procura quando está triste, zangado, feliz ou quando quer contar um segredo?’. Quase todos os livros infantis na livraria que frequento tem animais como protagonistas. Mas a alguns passos de distância, quase todos os livros de culinária incluem receitas para o cozimento de animais. Haverá um exemplo mais claro do nosso relacionamento paradoxal com o mundo não humano? (Minha vida de cão)

Conto da semana, de Vera Helena Rossi

É de Vera Helena Rossi, do livro Mind the Gap ( Editora Patuá, nossa parceira) o conto da semana – As caixas de papelão da família A. Almeida. Nossa casa, como se espera de uma casa, abriga um lugar por vezes sombrio, onde é guardado nosso passado, talhado em papeis, quinquilharias, objetos inúteis e mais um sem número de peças inutilizadas do cotidiano. Mantemos o local [que se resume a várias caixas de papelão desequilibradas no quarto dos fundos] intocável, atordoados com a sua existência, que, ainda assim, se exibe diariamente contra nossa vontade. É claro que esse lugar não se resume às caixas de papelão; são memórias que de alguma forma assombram toda a família, um verdadeiro depósito de ontens (grande expressão). Parece que todos na casa tem um grande respeito pelo depósito de ontens, mas tia Gina parece destemida, resoluta a “arrumar” as caixas, ou seja, arrumar o seu passado. Um passado empoeirado que, em princípio, pode atiça a sua renite. Esqueça – diz...

GUERRA E PAZ (2)

O Livro 1 termina com a surra que os russos e austríacos tomaram de Napoleão em Austerlitz. O Livro 2, com suas 600 páginas, começa com Rostov voltando para casa, em Moscou, sendo recebido com entusiasmo pela família.  Um momento tocante é a morte da princesa Lisa, ao dar à luz. "Eu amava vocês todos, não fiz mal nenhum a ninguém, e o que vocês fizeram comigo? Ah, o que vocês fizeram comigo?", dizia o seu rosto encantador, sofrido e morto. Num canto do quarto, alguma coisa pequena, vermelha, soltava pios e grunhidos nas mãos brancas e trêmulas de Mária Bogdánova.  Só cinco dias depois o pequeno príncipe Nikolai Andreitch foi batizado. E o príncipe Andrei, arrasado. Pierre, por sua vez, agora rico, casa-se com Helena, o que se revela uma tremenda estupidez. Acaba se envolvendo em duelos e por fim é apresentado - com entusiasmo - à maçonaria, e se deixa convencer com a conversa do Grande Arquiteto... Atenção também ao trecho da caçada ao lobo, em 14 de sete...

The Fantastic Flying Books of Mr Morris Lessmore

Candidato ao Oscar deste ano de curta animado. Meu favorito, mesmo sem conhecer os outros...

Conto da semana, de Giulio Mozzi

Novamente a imperdível antologia Best European Fiction, edição de 2010: Carlo não sabe como ler , de Giulio Mozzi. O conto não chega a ter um enredo; é mais um de ensaio sobre a leitura, a memória e a imaginação. Interessante para quem acabou de ler o ensaio de Orhan Pamuk e está no meio do romance por excelência – Guerra e Paz. Em determinado momento, Carlo fala da (sua) leitura como um sonho. Quando se fala dele, fala-se daquilo que se sonhou realmente ou se acaba por acrescentar novos elementos, como se no momento em que falássemos estivéssemos acrescentando novos ingredientes àquilo que temos em mente? Quando se encontrou com um dos seus escritores favoritos, Carlo conta-lhe de sua predileção por uma determinada passagem – que o autor não se lembra e ainda diz que, se de fato escreveu aquilo, não tinha importância. Em um conto que comentamos aqui, o tradutor “melhora” os livros originais sobre os quais trabalha, com imenso sucesso. Aqui, o leitor “cria” para s...

Uma historinha de R.

Da novíssima safra - R.(de 9 anos) escreveu esta historinha, que coloco aqui: A SORTE Era uma vez belas sereias. Elas adoravam jogar A SORTE. Um dia elas jogaram e deu um problema: Alice jogava certo e Mariana a culpava de jogar errado. Já ia dar briga mas Helena parou tudo com uma simples arma: a conversa. Assim a noite ficou mais tranquila. FIM.