terça-feira, 18 de agosto de 2015

El olivo que no ardió en Salónica, de Manuel Mira




El olivo que no ardió en Salónica
Manuel Mira
La esfera de los libros, 2015
735p.


El olivo que no ardió en Salónica, de Manuel Mira (1945) - as primeiras páginas, em espanhol, foram disponibilizadas pela editora aqui - é um romance histórico, fruto de detalhadíssima pesquisa realizada pelo autor, jornalista espanhol, sobre a saga da família Carasso. 

El periodista Manuel Mira.

Isaac Carasso, que vivia em Salônica (Império Otomano, hoje cidade da Grécia) descobriu que os pastores búlgaros faziam uma bebida com o leite de suas ovelhas. Algo único, um verdadeiro elixir a vida, jaurt. Seu filho Daniel era conhecido pelo apelido, Danón. 

A descrição da vida no mundo sefaradi otomano - cujo império já se encontrava em fase terminal -, a relação com outras nações, em especial os búlgaros e gregos, a intervenção de Alfonso XIII, a guerra entre o Império Otomano contra a Itália e, logo depois, a Primeira Guerra Balcânica - tudo como pano de fundo para contar a história do criador do que viria a se tornar, anos mais tarde, o império Danone. 

A relação com Sefarad permeia todo o livro. De fato, há uma completa ausência de qualquer ressentimento em relação ao país que, há quatrocentos anos, os expulsara para o Mediterrâneo. Mesmo quando o velho Daniel se encontra com Sarkozy e o presidente francês insiste na sua naturalização, o empresário é categórico: jamais deixará de ser espanhol.

O decreto de sua expulsão estava, a rigor, ainda em vigência no século XX. E, por outro lado, mostra como, apesar de eventuais turbulências, o Sultão foi o grande acolhedor daquela massa de desterrados - não entendia como um soberano poderia expulsar um povo de tamanha riqueza.

Na prosa, fluida e envolvente, de Mira, aparecem sobrenomes de destaque naquela parte do mundo - Carasso, Bottom, Molho, Saporta, Covo, Abrabanel, Levi etc - há até um certo Bensoussan, que ora aparece como Bensusán, ora como Bensussan...

O Nobel Metchnikoff era um dos que acreditava nas propriedades do produto dos pastores búlgaros. Carasso o conheceu em Paris, quando o cientista presidia o Instituto Pasteur.

Carasso conseguiu o reconhecimento da nacionalidade espanhola. Sim, a atual política espanhola (e portuguesa) de concessão de nacionalidade aos judeus sefaradis não é algo inédito.

Salônica era o grande centro cultural, a grande cidade dos judeus (seria uma cidade independente judaica) foi tomada pelos gregos - o que, obviamente, não poderia dar em boa coisa. Mesmo assim, os judeus ainda conseguiram viver relativamente bem, até o assassinato do rei Jorge, dias depois. Acabaram indo a Lausanne, na Suíça, onde sua mulher Esther faleceu. Foram, em seguida, para Barcelona, onde criou a Danone.

Lá, o oficial do registro de marcas implicou com o nome que Isaac queria atribuir à empresa - Danón. Não poderia utilizar o nome de uma pessoa, o que o fez, naquele mesmo instante, acrescentar, na frente do oficial, a letra "e".


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A partir daí, Mira nos mostra o desenvolvimento da empresa. Isaac morre; antes disso, Daniel, que assume o negócio, decide mudá-lo para a França. Isso em meio à crescente confusão política espanhola - Primo de Rivera e, depois, Franco; o início da Segunda Guerra, a fuga da Europa e a instalação em Nova York. Tendo permanecido em Paris, sua irmã não sobreviveria à guerra, capturada pelos alemães e enviada a um campo de concentração. 

A parte final do livro se concentra efetivamente na empresa Danone do pós-guerra. Daniel Carasso se valeu de dois homens de confiança, na Espanha e na França, para preservar a empresa durante o caótico período da guerra, e ambos se saíram muito bem.

Mira construiu um romanção épico de mais de 700 páginas e leitura irresistível, e que, além da fascinante história do nascimento da empresa, me interessou particularmente pela reconstituição da Trácia otomana do início do século XX. 





2 comentários:

  1. Muchísimas gracias por su magnífica reseña sobre la novela "El Olivo que no ardió en Salónica". Me ha emocionado leerla en portugués. Me gustaría saber dónde ha podido conseguir la novela y si donde usted reside hay una comunidad de sefardíes españoles o portugueses, en cuyo caso rogaría que me hiciera llegar alguna dirección para poder contactar con ellos. La novela ha tenido mucho eco en algunas comunidades Tarbut Sefarad de España. Concretamente, la de Pamplona organizará en octubre una presentación del libro. Con mi amistad, un abrazo.

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  2. Muchísimas gracias por su magnífico comentario. Me ha emocionado leer por primera vez en portugués una reseña sobre "El Olivo que no ardió en Salónica". Estoy a disposición de los lectores del blog por si desean averiguar algo sobre esta novela que está teniendo un eco importante en las comunidades sefardíes españolas. Me gustaría saber si en el lugar donde usted reside hay comunidades sefardíes, en cuyo caso le rogaría me hiciera llegar alguna dirección para poder contactar. Con mi amistad, un abrazo. Manuel Mira

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