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Boas Influências

Via Editora Dublinense

Conto da semana, de David Dephy

Esta semana postei uma entrevista dada pelo Ian McEwan. A interpretação que ele deu ao próprio romance foi considerada horrível pelo professor do filho. Muitos dizem que o autor é um péssimo intérprete da própria obra. O que dizer, então, dos personagens? Talvez o mais capacitado para falar da obra seja o personagem, e não o autor. Em seus contos reunidos em Words Words Words, o romancista, contista e poeta georgiano David Dephy conversa com personagens de Poe, Hemingway, Kipling, Dickens e Eurípedes. O narrador - Dephy? - descobre então as verdadeiras versões; não aquelas dos autores, mas da boca de Medeia, por exemplo:  - Mas na mitologia... - Na mitologia eu sou aquela da realidade - fiel ao meu marido, honesta. E no seu livro eu sou imoral, vingativa, indigna, rasa (...)  Por mais de dois mil anos eu tenho sido condenada a sofrer porque o autor acho que esse seria o modo mais interessante para o leitor (...) Os Deuses não me sacrificaram nem me apagaram...

No One is Here, Except All of Us, de Ramona Ausubel

No One is Here Except All of Us Ramona Ausubel Riverhead Books A dica desse livro saiu no blog da Absynthe; li na versão Kindle.  A autora, americana do Novo México, se inspirou nos relatos de sua avó romena. Nos Cárpatos, ao norte da Romênia, nove famílias vivem em Zalischik. Quem nos narra a história é Lena, de 11 anos, filha mais nova de um casal que planta repolhos. Eles vivem isolados do resto do mundo. Em 1939, com o início da guerra, os adultos ficam apreensivos. Na noite de 3 de setembro, encontram uma mulher às margens do rio - essa mulher será sempre chamada de "estranha" - que relata os horrores que presenciou -  seu vilarejo arrasado do mapa; seus pais, irmã, marido e filhos assassinados, com requintes de crueldade. O pânico aumenta, e surge então a ideia que irá agradar a todos: refundar o mundo. Como se fizéssemos um "control-alt-del", e tudo começasse novamente. Isso ocorre nas primeiras páginas, enquanto os habitante...

Brás Cubas, por Woody Allen

Perguntado sobre os cinco livros mais importantes que já leu, Woody Allen fala de Machado de Assis,  aqui. Alguém do Brasil me mandou o livro Epitaph of a Small Winner (título em inglês das Memórias Póstumas de Brás Cubas). Era um livro fino e resolvi ler. Se fosse grosso, eu o teria desprezado. Fiquei chocado com um livro tão interessante e divertido (...) ele poderia ter sido escrito ontem, de tão moderno e divertido. Uma obra extremamente original (...) sem sentimentalismo. No The Guardian.

Conto da semana, de David Rose

O conto do inglês David Rose, Flora, abre a antologia Best British Short Stories 2011.  O narrador encontra a garota no Kew Gardens - e vai convidá-la para frequentar sua impressionante biblioteca de botânica. Ao vê-la com uma cópia de  Flora Pyrenaica, de Wilson, não se contém - tenho uma edição superior a essa. Após uma breve conversa, ele lhe franqueia acesso à sua biblioteca de botânica. A partir daí, Rose nos conta a rotina nos dias seguintes, na sua sala de estar-biblioteca, com a presença da estudante, que se põe a copiar os desenhos das plantas. O narrador serve-lhe biscoitos, tudo para tornar sua presença a mais agradável possível. A obsessão do narrador não se resume à sua coleção de plantas - alcança os livros de botânica e, claro, a estudante. Ela se encanta com o material posto à sua disposição - faz uma aquarela de uma flor - Convolvulus mauritanicus  e a dá de presente ao botânico. O romance por todos esperado não se concretiza - nem de longe....

O Escritor, o Filho e o Professor

Na entrevista que deu ao The Guardian, Ian McEwan fala sobre seu modo de escrever, o que pensa de Tony Blair (que o confundiu com um pintor)... Neste trecho, ele fala da estranha sensação que foi ajudar seu filho a escrever um ensaio escolar sobre um de seus livros e descobrir que o professor detestou sua interpretação -   a very low grade...

Catástrofe, de Lee Rourke

O conto da semana é do inglês Lee Rourke. Ele ganhou o curioso prêmio Not the Booker Prize , do The Guardian. Catástrofe é o relato em primeira pessoa de um homem desesperado que invade um apartamento no 12º andar de um prédio que está para ser demolido. Com a crise econômica e financeira internacional, ele perdeu tudo o que tinha - o pouco  que restou jogou pela janela, com exceção de uma cadeira e uma TV. E pela TV ele assiste à cobertura do evento que está protagonizando - as breaking news do noticiário falando de um homem que está no apartamento prestes a ser explodido... a água e a eletricidade já foram cortados pela polícia.  O relato deste desesperado é o leitor - o autor do crime. Esperando pela catástrofe. Vou cair com o prédio, seu crime não irá me derrotar. Ao mesmo tempo, critica o que vem ouvindo e assistindo pela TV: que teve problemas na infância, que não foi amado pela mãe, que possui reféns etc. - todos esses clichês que já ouvimos antes. ...