quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Stoner, de John Williams




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Resgatado do ostracismo de mais de 50 anos por uma turma da pesada (Julian Barnes e Philip Roth, entre outros), John Williams (1922-1994) e seu Stoner chegaram ao Brasil no ano passado. Publicado em 1965, conta a vida de um professor de literatura da Universidade do Missouri na primeira metade do século XX. Uma vida sem glamour, sem fama ou reconhecimento - como a do próprio autor, diga-se.

William (Bill) Stoner é quase insuportavelmente triste - oriundo de uma família pobre de agricultores, ingressa na Universidade, onde acaba se dedicando à Literatura (para desgosto dos pais, que queriam vê-lo estudando algo ligado à terra), torna-se professor. Foge da convocação para a Primeira Guerra, seu casamento com Edith é um fracasso desastroso. A filha do casal é criada quase que exclusivamente por Bill. 

Tem apenas dois amigos. Um deles morre nos primeiros dias da participação americana na Primeira Guerra. Bill irá se lembrar dele pelo resto da vida; o outro, Finch, acaba prosperando na carreira universitária mas quase já não se lembra do companheiro morto. Já na casa dos quarenta, envolve-se com uma estudante - e a própria Edith irá tripudiar dessa relação...

Um escritor comum desperdiçaria Edith como uma megera, mas John Williams, na simplicidade e elegância de sua prosa, torna-a um personagem mais complexo do que se espera.

Em meio a tudo isso, busca dedicar-se à Literatura. É uma paixão inesperada e desesperada. Afinal, ele entrou na Universidade para estudar Agricultura. E, pela Literatura, suporta tudo, desde Edith até mesmo Hollis Lomax, diretor do departamento de Inglês e o grande vilão do romance, enquanto a vida lhe escorre por entre os dedos.

Stoner é um anti-heroi, o oposto ao ideal do sonho americano: não luta na guerra, não luta contra a hierarquia universitária, não luta nem pela mulher que amava (ele abandona sua amante ao saber que o escândalo poderia levá-lo a sair da Universidade que tanto amava). Aparentemente, Coleman Silk (Roth) e David Lurie (Coetzee) têm algo de Stoner no choque com a estrutura universitária, mas o  professor da Universidade do Missouri adota uma postura bastante diferente - há em Bill Stoner uma resignação elegante. Ele é seguro de si - não se arrepende; pelo contrário, tem a certeza absoluta de ter agido da forma correta por toda a sua vida.

Um livro surpreendente (meio século esquecido!) e, certamente, um dos melhores lançamentos dos últimos anos.

No Brasil, foi publicado pela Radio Londres, na tradução de Marcos Maffei. Diante das severas críticas à edição fui direto ao texto original mas, ao que parece, a editora lançou uma segunda edição inteiramente revisada.





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