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Modeste Mignon, de Balzac



O último texto do 1º volume da Comédia Humana organizada por Paulo Ronai e reeditada pela Globo.

Como dizia Carpeaux, os romances de Balzac estão povoados por advogados, proprietários, industriais, comerciantes e aristocratas decadentes. O dinheiro é o grande mestre. O pessoal do direito tinha que ler Balzac e Dickens. Os dois são os melhores professores possíveis de direito civil e comercial da história da literatura.


Se em O baile de Sceaux a personagem, depois de passar a vida escolhendo o par acaba tendo que se casar com o primeiro que lhe aparece, aqui é o contrário: Modeste é de uma família burguesa que (como todos elas) quer chegar à aristocracia. Seu pai, Charles Mignon de la Bastie, no entanto, está falido. 


O sr, Carlos Mignon partiu esta manhã no navio Modesta para a Ásia Menor, tendo deixado plenos poderes para o fim de realizar todos os valores, mesmo os imobiliários.


Deixa as duas filhas e a esposa. A irmã de Modeste, Betina, morre depois de ser enganada pelo amante, Jorge d'Estourny, jogador e devasso. Com a crise que se abate sobre a família, ninguém se interessa por Modeste que, por seu lado, começa a se corresponder com uma figurina fácil da Comédia, o poeta Canalis (ao menos é o que ela pensa; as cartas são escritas e respondidas pelo amigo do poeta, Ernesto de la Brière.



BalzacModesteMignon.jpg

É claro que Canalis, de início, sequer sabe disso. Por outro lado, Ernesto está realmente interessado, e sabe os Mignon estão quebrados. O que ninguém espera é o retorno do velho das Índias depois de quatro anos. E a falida está, agora, mais rica do que em qualquer outra fase de sua vida. Após descobrir a farsa das cartas, Modesta, com a ajuda do pai, oferece várias festas, onde Canalis (que ela definitivamente não aprecia como pretendente) e o duque de Hérouville. 

Tudo se passa em Le Havre, importante cidade portuária. Na segunda parte do romance, quando se dá a disputa entre os dois por Modeste, Balzac faz uma análise da personalidade dos diversos personagens, não se esquecendo, ainda, do corcunda Butscha. É o que o livro tem de melhor a oferecer ao leitor do século XXI - e não é, absolutamente, pouco.




Comentários

  1. Balzac o cronista do cotidiano,leitura obrigatoriannos cursos de direito. Sou a favor. E

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