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As causas da guerra, por Lemuel Gulliver

Perguntou-me ele quais eram as Causas ou Motivos usuais que levavam um País a ir à Guerra contra outro. Respondi que eram inumeráveis, porém mencionaria apenas umas poucas entre as mais importantes. (...) As diferenças de Opiniões têm custado muitos milhões de Vidas: por exemplo, se a Carne é Pão, ou o Pão é Carne; se o Suco de uma certa Fruta é Sangue ou Vinho ; se Assobiar é um Vício ou uma Virtude; se é melhor beijar uma Táboa ou jogá-la no Fogo; qual a melhor Cor para uma Túnica, Preto, Branco ou Vermelho ou Cinza ; se ela devia ser longa ou curta, estreita ou larga, suja ou limpa, e muitas outras coisas. E não há Guerras tão furiosas e sangrentas, nem tão duradouras, quanto as que são ocasionadas por Diferenças de Opinião, especialmente quando se trata de coisas sem importância.

Jonathan Swift

Jonathan Swift - clérigo humanista, fiel-infiel à Igreja da qual era sacerdote - é um dos maiores satíricos da literatura universal, talvez o maior de todos. Gulliver's Travels é o livro mais cruel que existe. As atividades febris e inúteis dos anões de Lilliput ridicularizam a vida parlamentar na Inglaterra do século XVIII e em todos os países e épocas de política constitucional e profissional (...)  Tampouco são melhores os intelectuais que, no país de Laputa, vegetam como imbecis completos. Na última parte, o elogio dos Houyhnhms , isto é, dos cavalos, mais nobres e mais inteligentes que os homens, é a condenação absoluta do gênero humano in totum. Enfim, o episódio dos Struldbrugs, que devem ao progresso científico a imortalidade da vida, não escapando, porém, às doenças, fraquezas e senilidade da extrema velhice, e que não conseguem morrer, já condena a própria vida. Carpeaux, História da Literatura Ocidental, v. II, p. 1063

Olimpíadas das Letras

Neste artigo do site do New York Public Library , 188 autores de 188 países que participaram das Olimpíadas do Rio 2016. Da Samoa Americana (se você disser que conhece Caroline Sinavaiana-Gabbard terá de me provar) a Alemanha de Herta Muller. Quantos você já leu?

O romance inacabado de Sofia Stern, de Ronaldo Wrobel

Mas eu não estava tão surpreso assim. Vovó andava esquisita ultimamente. Confundia nomes, esquecia coisas, deixava a janela aberta, a luz acesa, interrompia frases. Já não atendi ao telefone e expulsava visitas. Às vezes tagarelava em alemão ou contava piadas que não eram de seu feitio. Outro dia conseguira se perder na rua onde morava há setenta anos. No último aniversário, recusara-se a soprar as velas: - Sofia morreu. - Você está vivíssima, vovó! Que história é essa?  Ronaldo (o personagem) é advogado (como o autor) recebe um telefonema da Alemanha, sobre uma certa caixa de joias perdida antes da guerra e que pertenceria a Sofia Stern. Como sua avó. Interessado nas histórias que sempre ouviu, Ronaldo sabe que sua avó não tem a memória de antes. E fica sabendo de sua amizade com uma certa Klara Hansen - que teria morrido em Hamburgo. Muito bom esse O romance inacabado de Sofia Stern, de Ronaldo Wrobel, fruto de pesquisa histórica e capacidade de contar uma boa hi...

Roth, livros e filmes

No lugar do mundo literário nova-iorquino, que ele nunca lamentou deixar para trás, havia agora a sala de aula, que Roth sempre adorou. "É o único lugar onde eu podia falar a sério sobe livros", diz hoje, com certa nostalgia. "Em qualquer outro lugar, se você menciona um livro as pessoas começam a falar sobre filmes". Roth Libertado, de Claudia Roth Pierpont, p. 109.

Indignation, de James Schamus (2016)

E outro Roth: Indignação chega às telas na direção de James Schamus. Estrelado por Logan Lerman, o filme foi muito bem recebido na première em NY (MoMA).  

American Pastoral, de Ewan McGregor (2016)

Será lançado este ano. Será que Ewan McGregor se sai bem na sua estreia como diretor - fazendo, enfim, uma adaptação de Philip Roth como há muito se espera? McGregor, além de dirigir, interpreta o Sueco Levov; Jennifer Connely e Dawn e Dakota Fanning, Merry. É torcer para que chegue por aqui. Sai em outubro nos EUA.  

Man Booker Prize

Mundo de K nos lembra do Man Booker Prize, que acaba de anunciar sua longlist. Não li nenhum dos livros, mas, claro, Coetzee, autor de Desonra, deve ser um dos favoritos. A lista de autores consagrados esnobados, desta vez, é grande - McEwan, por exemplo. E, já, já, as especulações sobre o Nobel dominarão as discussões.

Brasil e Portugal

Escrever a mesma língua em países diferentes carrega, automaticamente, uma distância que se impõe pela cultura de cada um. Segundo o brasileiro Flavio Cafiero, as diferenças podem ser um acréscimo em vez de um obstáculo. "Embora a língua seja a mesma, o ritmo e a pronúncia são outros e isso é uma delícia", disse. O escritor partilhou, ainda, a história de uma altura da sua vida em que lia muitos autores portugueses e uma professora sua notou que a sua leitura e escrita estavam a ser influenciados "nas vírgulas, no estilo, em tudo". Artigo publicado no caderno Ipsilon, do português Público, que pode ser lido aqui. O debate aconteceu na Fundação José Saramago, em Lisboa.