terça-feira, 20 de junho de 2017

Diplomacia, de Volker Schlöndorff (2014)

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Baseado na peça de Cyril Gély. Mesclando algumas imagens da época, conta a história do encontro entre o general alemão Dietrich von Choltitz (interpretado por Niels Arestrup) e o cônsul sueco Raoul Nordling (André Dussolier). Os alemães, já em fuga, pretendem destruir Paris antes da chegada dos americanos que libertariam a cidade em poucos dias. Vemos a descrição do plano, que levaria a explosões e inundações, que resultariam na morte de mais de 2 milhões de habitantes.

O plano, de fato, existiu, bem como os personagens, cujo encontro, no entanto, é fictício. O cônsul sueco, de origem francesa, tenta convencer o general a desobedecer Hitler. O Führer desistiu de preservar a cidade após o bombardeio de Berlim. A trama se passa durante a manhã de 25 de agosto de 1944.

O general, no início, reitera sua lealdade - e menciona episódio envolvendo judeus. Mas acaba cedendo a Nordling (não dá para chamar isso de spoiler - sabemos que a cidade não foi destruída...). Humanismo ou algo parecido por parte de Choltitz? Para mim, uma prova de senso de realidade (já sabia que o Terceiro Reich se aproximava rapidamente do fim e já previa o que iria acontecer com os principais nomes do regime). 

O diretor (que levou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1980 com O tambor) confessa que vislumbrou esse espaço ficcional - não há registro do tal encontro - dentro de um episódio histórico. Schlöndorff e Gély se lançaram nesse espaço, abdicando de qualquer tentativa de descoberta de fatos novos ou uma verdadeira pesquisa de campo.

O filme (de menos de uma hora e meia) é uma peça de teatro - um quarto, dois personagens, diálogos tensos. Muita gente torceu o nariz para o resultado que, para mim, é amplamente positivo. 


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