sábado, 30 de julho de 2016

Roth, livros e filmes

No lugar do mundo literário nova-iorquino, que ele nunca lamentou deixar para trás, havia agora a sala de aula, que Roth sempre adorou. "É o único lugar onde eu podia falar a sério sobe livros", diz hoje, com certa nostalgia. "Em qualquer outro lugar, se você menciona um livro as pessoas começam a falar sobre filmes".

Roth Libertado, de Claudia Roth Pierpont, p. 109.

Indignation, de James Schamus (2016)

E outro Roth: Indignação chega às telas na direção de James Schamus. Estrelado por Logan Lerman, o filme foi muito bem recebido na première em NY (MoMA).

 

American Pastoral, de Ewan McGregor (2016)

Será lançado este ano. Será que Ewan McGregor se sai bem na sua estreia como diretor - fazendo, enfim, uma adaptação de Philip Roth como há muito se espera?

McGregor, além de dirigir, interpreta o Sueco Levov; Jennifer Connely e Dawn e Dakota Fanning, Merry. É torcer para que chegue por aqui. Sai em outubro nos EUA.

 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Man Booker Prize

Mundo de K nos lembra do Man Booker Prize, que acaba de anunciar sua longlist. Não li nenhum dos livros, mas, claro, Coetzee, autor de Desonra, deve ser um dos favoritos. A lista de autores consagrados esnobados, desta vez, é grande - McEwan, por exemplo.

E, já, já, as especulações sobre o Nobel dominarão as discussões.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Brasil e Portugal

Escrever a mesma língua em países diferentes carrega, automaticamente, uma distância que se impõe pela cultura de cada um. Segundo o brasileiro Flavio Cafiero, as diferenças podem ser um acréscimo em vez de um obstáculo. "Embora a língua seja a mesma, o ritmo e a pronúncia são outros e isso é uma delícia", disse. O escritor partilhou, ainda, a história de uma altura da sua vida em que lia muitos autores portugueses e uma professora sua notou que a sua leitura e escrita estavam a ser influenciados "nas vírgulas, no estilo, em tudo".

Artigo publicado no caderno Ipsilon, do português Público, que pode ser lido aqui. O debate aconteceu na Fundação José Saramago, em Lisboa.

 


terça-feira, 5 de julho de 2016

George Steiner

Nenhum romancista, dramaturgo, poeta ou artista, nem mesmo Shakespeare, teria ousado inventar um personagem como Stephen Hawking. Bem. Se você e eu fôssemos cientistas, o tom da nossa conversa seria outro, seria muito mais otimista, pois hoje, toda semana a ciência descobre alguma coisa nova que não conhecíamos na semana passada. Em contrapartida –e isso que lhe digo é totalmente irracional, e espero estar enganado–, o instinto me diz que não teremos amanhã nenhum novo Shakespeare, um novo Mozart ou Beethoven, nem um Michelangelo, um Dante ou um Cervantes. Mas eu sei que teremos um novo Newton, um novo Einstein, um novo Darwin... Sem dúvida alguma. Isso me assusta, porque uma cultura desprovida de grandes obras estéticas é uma cultura pobre. Estamos muito distantes dos gigantes do passado. Espero estar enganado e que o próximo Proust ou Joyce esteja nascendo na casa aqui na frente!

Excelente entrevista, que pode ser lida em português, aqui. 

Aqui, mais um trecho, em que Steiner fala sobre "alta" e "baixa" cultura, de TV, Shakespeare, Homero e Muhammed Ali:

P. O senhor diferencia a “alta” cultura e a “baixa” cultura, como fazem alguns intelectuais de renome, visivelmente incomodados com formas da cultura popular como os quadrinhos, a arte urbana, o pop ou o rock, para as quais se chegou a criar o rótulo de “civilização do espetáculo”?
R. Vou lhe dizer uma coisa: Shakespeare teria adorado a televisão. Ele escreveria para a televisão. E não, eu não faço esse tipo de distinção. O que realmente me entristece é que as pequenas livrarias, os teatros de bairro e as lojas de discos estejam fechando. Por outro lado, os museus estão cada vez mais cheios, a multidões lotam as grandes exposições, as salas de concerto estão cheias... Portanto, cuidado, porque esses processos são muito complexos e diversificados para se querer fazer julgamentos generalizantes. O senhor Mohammed Ali era também um fenômeno estético. Como um deus grego. Homero teria entendido perfeitamente Mohammed Ali.



Na Ventania, de Nartti Helde (2014)




Erma (Laura Peterson) vive com seu marido Heldur (Tarmo Song) e a filha Eliide (Mirt Preegel) num idílio rural. Heldur é fazendeiro e membro da Liga de Defesa estoniana. Apesar dos esforços dos familiares em convencê-los a abandonar o país e fugir da cada vez mais evidente invasão pelo leste, eles resolvem permanecer em sua casa. 

Os soviéticos chegam e o inferno começa. E assim, também, a sucessão de imagens fortes - algumas lembram fotografias. E o que ouvimos são as cartas escritas por Erma. Sabemos de tudo através dela - das desgraças, das mortes, do retorno após a morte de Stalin. 

Se você já leu os romances de Sofi Oksanen - Expurgo e As vacas de Stálin - certamente está situado no tempo e no espaço desse filme - a ocupação soviética da Estônia, durante a Segunda Guerra. Milhões de cidadãos bálticos capturados e deportados para a Sibéria.  

Não é uma narrativa romanceada nem um documentário, mas possui grandes elementos de ambos. A câmera se move, com tranquilidade, e assistimos, por quase uma hora e meia, uma sucessão de imagens - não, imagens não, o certo é chamarmos de quadros. 

Talvez seja, em essência, aquilo que chamávamos de "cinema-arte", expressão que, como tantas outras, ficou tão desgastada e banalizada, mas que aqui parece recuperar seu real sentido.