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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Gabriel Garcia Marquez (1927-2014)

Um texto de Salman Rushdie sobre Gabriel Garcia Márquez (1927-2014). No NYT e em inglês. Não li Cem Anos de Solidão, mas gostei muito de Crônica de uma morte anunciada e Ninguém escreve ao coronel. Ambos quando estudava espanhol. Um escritor decididamente de esquerda, ao contrário de sua obra, que sempre ficou acima destas classificações.



terça-feira, 15 de abril de 2014

Conto da semana, de Etgar Keret

O escritor israelense Etgar Keret (que já apareceu no blog, aqui) é presença confirmada na FLIP 2014, este ano em agosto por causa da Copa.

Enquanto agosto não chega - nem seu livro, que deve sair pela Rocco - um dos seus contos, O Gordinho.


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Baudelaire por Junqueira

Arrisco-me a dizer que a influência de Baudelaire jamais deixará de se exercer entre nós, pois é com ele, acima de qualquer outro, que tem início a poesia moderna no Ocidente. Baudelaire é um poeta eterno, assim como Homero, Dante, Petrarca, Camões ou Leopardi.


Ivan Junqueira, tradutor e estudioso de Baudelaire, nascido em 9 de abril de 1821.


Umberto Eco e o excesso de informação

Vamos tomar como exemplo o ditador e líder romano Júlio César e como os historiadores antigos trataram dele. Todos dizem que foi importante porque alterou a história. Os cronistas romanos só citam sua mulher, Calpúrnia, porque esteve ao lado de César. Nada se sabe sobre a viuvez de Calpúrnia. Se costurou, dedicou-se à educação ou seja lá o que for. Hoje, na internet, Júlio César e Calpúrnia têm a mesma importância. Ora, isso não é conhecimento.

De fato, é um problema. Na entrevista, que pode ser lida aqui, no entanto, ele mesmo reconhece as vantagens da internet para quem tem conhecimento e sabe onde procurá-lo. Esta é a grande questão, afinal.

Os Jardins e o Pandemônio, de David Dephy



Os jardins e o pandemônio
David Dephy
Traduzido (do inglês) por Úmero Cardoso
Lumme Editor, 2013, 360 p.

Eu vou te contar. Vou contar o exato. Como aqueles dias desgraçados foram se sucedendo, eu vou contar; pelo menos enquanto ainda estou vivo e Deus sabe quanto tempo ainda tenho neste mundo. Eu atinei e olhei pro céu. Escutei o barulho de explosões por toda parte, longe e perto. Havia barulho de tiros e helicópteros.

Eu sou Gigga, Sardlishvili Giorgi, da Quarta Infantaria, tenente da Terceira Companhia Charly... E agora, enquanto estou com esses ferimentos fatais, prostrado nesta cama de hospital, posso morrer a qualquer momento e até parece que o tempo reduziu seus passos diante da morte,quem sabe ele não interrompe a caminhada e me deixa falar...



O escritor georgiano David Dephy (1968) já apareceu aqui várias vezes, desde o conto Antes do Fim (BEF 2012), passando por A Cadeira e Palavras, palavras, palavras. Este Os jardins e o pandemônio é seu romance publicado no Brasil.


O lançamento vem a calhar num 2014 que se iniciou com a questão entre Rússia e Ucrânia (na verdade, longe de acabar, conforme o noticiário de hoje). Desde fevereiro se fala de Crimeia, de OTAN, de ex-repúblicas soviéticas... e da Georgia, que em 2008 foi palco de uma guerra aberta com os russos. Duas regiões, 20% do pequeno país de cerca de 4 milhões de habitantes, proclamaram suas independências, somente reconhecidas por Moscou.

Dephy, além de escritor, é conhecido pelo seu posicionamento pró-ocidente - e, consequentemente, anti-Moscou. Participou do conflito de 2008 e mesmo agora esta sua postura lhe rende, eventualmente, alguns problemas em seu próprio país. 

Os jardins e o pandemônio retrata este período. O autor o declara um manifesto. Além da própria experiência - foi líder do movimento de resistência Solidariedade Civil - Dephy se baseou em relatos dos militares de seu país - até a SMS enviados. O romance é narrado por várias vozes, e os capítulos se alternam entre os meses que antecederam o conflito e o fatídico agosto de 2008. Os detalhes da guerra são contados com apuro documental.

E somos apresentados ao comandante da companhia Charlie, tenente George (Gigga) Sardlishvili, apaixonado por Lellyo. Mas, se o conflito em si é o grande acontecimento da narrativa, os capítulos a ele dedicados são bem menores que aqueles anteriores a agosto.

Dephy se concentra nos "jardins". Os jardins trazem uma ideia de paz e harmonia, que estariam dentro de cada georgiano. Além de Gigga, Lellyo e seus irmãos, Pharna e Phido, e seus pais Irakly e Lally, vivem na vila de Ertatsminda. Uma viagem para a América se aproxima - e, ao mesmo tempo, o clima de guerra e uma provável convocação. Enquanto isso, lidam com problemas tão prosaicos como uma vaca separatista - ela teima em fugir para a Abcásia...



Igreja de Ertatsminda - os jardins

A Guerra de Agosto invadiu este mundo, trazendo medo, choque e reflexões. É o pandemônio. À medida em que fica mais provável a eclosão da guerra, a  atmosfera de sonho vai sendo perturbada. Uma estranha visita de ciganos os intriga ainda mais - Melchizedek, Kyiko, Zara e Melissa. Com eles, vem também um grou... uma sensação de inevitabilidade e de tragédia fica no ar. 

O romance de Dephy, escrito em 2010 sobre a guerra de 2008, é tragicamente atual. Numa narrativa de longo fôlego, David Dephy chega de vez ao público brasileiro. 

domingo, 6 de abril de 2014

Conto da semana, de Heinrich von Kleist

O conto da semana é de Heinrich von Kleist (1777-1811), autor romântico alemão. Está no volume 2 do Mar de Histórias e, de acordo com os antologistas, interessa-nos não só pelo espetáculo das forças desencadeadas da fatalidade e dos desvios da alma coletiva em estado patológico, mas também pelo ambiente sul-americano em que o escritor alemão os faz funcionar.


Sim, já que se tornou o assunto da semana - não só pela intensidade  8,2 graus na escala Richter, como pelo número reduzido de vítimas fatais, demonstrando a seriedade com que lida com a realidade - o conto tinha de ser O Terremoto do Chile. 

Kleist conta a história de Jeronimo Rugera e Dona Josefa, filha de D. Henrique. É lógico que os dois tem um caso proibido - ou não estaríamos diante de um texto e autor tipicamente românticos. O mancebo engravida a mulher que estava num convento e é condenado à morte. No dia, porém, a terra se abre e a cidade é devastada pelo terremoto.

A descrição de Kleist sobre os efeitos do tremor é de um detalhamento cinematográfico.

Aqui, o desmoronamento de mais uma casa, com fragmentos a voar de todos o lados, o desviou para uma runa lateral; ali as chamas, rebentando no meio de espessas nuvens de fumaça, saíam pelas janelas e fizeram-no entrar horrorizado em outra rua; adiante, as ondas do Mapocho, transbordando, vinham a rolar sobre ele, e seus uivos o arremessaram numa terceira rua. Aqui, tropeçava num montão de cadáveres; além, um gemido se escapava ainda dos escombros; mais longe, gritos de pessoas empoleiradas num telhado em chamas pediam socorro; homens e animais lutavam com as ondas; um rapaz valente buscava socorrer alguém(..)

Na desgraça, o arrependimento, e Jeronimo e Josefa são brevemente reabilitados, diante da desgraça de todos e das ações heróicas que realizam. Mas, durante a missa celebrada na única igreja que restou de pé, o sermão do dominicano sobre o castigo divino e a necessidade de se corrigir diante de Deus leva a turba a apontá-los como os culpados pela ira divina... 

Como fazia parte do roteiro romântico, o autor se matou aos 34 anos. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Verso e Prosa

Na poesia a chave está nos primeiros versos. Se não são bons, dificilmente se vai em frente, e o leitor desiste. No romance, ao contrário, isso pode demorar e em sempre as páginas apresentam a maravilha que pode vir. Por isso, de alguma maneira, entendo Gide quando ele se recusou a publicar Em Busca do Tempo Perdido, de Proust, o que o levaria a se arrepender por toda a vida. Há outros romances que desde as primeiras páginas te capturam, como Cem Anos de Solidão, com esse começo extraordinário; o Miby Dick, com este 'Digamos que me chamo Ismael', tão enigmático; ou O Quixote com 'Em algum lugar da Mancha de cujo...', com seu mistério e musicalidade. Como dizia Borges, o que não for excelente não é poesia, por isso me dediquei ao romance..."