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sábado, 31 de janeiro de 2015

Ida (2013), de Pawel Pawlikowski




Candidato ao Oscar de filme estrangeiro, esse preto e branco que remete aos anos 60 é, sem dúvida, uma grande película - um grande filme curto, de menos de 80 minutos).

Estranho, sim, e bastante. Anna (Agata Trzebuchowska) é uma jovem noviça às vésperas de se tornar freira. A madre superiora insiste em fazê-la visitar sua família - ou o que dela restou: a tia Wanda (Agata Kulesza). Esta, desgostosa com tudo e todos, uma procuradora comunista, revela que Anna é, na verdade, Ida, filha de judeus mortos pelos nazistas.

A partir daí, ambas partem para tentar descobrir as exatas circunstâncias da morte dos pais e de sua sobrevivência. Logo chegam ao algoz, que descreve exatamente o modus operandi dos assassinatos. É claro que Ida fica chocada, mas é a comunista, cínica e ateia tia Wanda que não resiste às revelações.

Vemos de forma clara aquilo que já lemos em diversos lugares: os judeus foram expulsos de suas casas; ao final da guerra, os sobreviventes (poucos) que tentaram retornar às suas cidades e vilas (pouquíssimos) descobriam que suas propriedades já haviam sido tomadas por poloneses nem um pouco dispostos a devolvê-las (e, em toda a Europa Oriental, com o apoio dos novos governos pró-soviéticos).

A grande marca do filme é o silêncio. Poucos diálogos, longas tomadas em silêncio absoluto, marcadas pelas expressões gestuais e os olhares entre os personagens. É o grande favorito ao prêmio.

Teoria de Tudo (2014), de James Marsh




Esta é não apenas uma história sobre o Stephen Hawkins, mas dele (Eddie Redmayne) e sua primeira mulher, Jane (Felicity Jones). Sim, ela é tão "personagem principal" quanto ele, indicado para o Oscar de melhor ator. Seu desempenho, principalmente a partir do avanço da doença, é realmente notável. As expressões com que consegue mostrar a degeneração física são impressionantes.

Tal como outras adaptações de vidas ao cinema, esta também parece ter sido bastante camarada com o biografado. É certo que sua separação, já no final do filme, não foi tão delicada como parece - e, sim, ficamos todos com  repugnância de sua atitude em trocar Jane, que abdicou de sua vida para acompanhá-lo (quando se casaram, ele já estava condenado), por Elaine (enfermeira "predadora", contratada para ajudar o casal, e interpretado por Maxine Peake).

Se Eddie faz jus à indicação ao Oscar, o desempenho de Felicity é igualmente notável. Sua dedicação ao marido, e mesmo sua luta para permanecer junto a Stephen, ao mesmo tempo em que se aproxima do músico da igreja (eles se casam após a separação dos Hawkins), sua frustração com a falta de contato sexual com o marido - e, impressionantemente, tiveram três filhos - enfim, uma atuação elegante e sem afetação.

Algumas cenas bem boladas - como a xícara de café com leite e a ideia dos buracos negros (são várias as associações entre as ideias do cientista e coisas mais prosaicas, como um teto da universidade). 

E, de quebra, visitamos Cambridge. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Instituto de Estatísticas da Biblioteca

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Sim. Como vivemos até hoje sem esses dados?

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Invencível (2014)

Invencível


Louis Zamperini tinha tudo para se tornar um marginal; vai às Olimpíadas de Berlim (1936) e não ganha nada - ainda que com um desempenho sensacional na última volta dos 5 mil metros tenha se tornado famoso; cai de avião no Pacífico e é capturado, depois de mais de 40 dias à deriva, pelos japoneses. E, o mais incrível, tudo isso de fato ocorreu.



Invencível (Unbroken), de Angelina Jolie (e, entre os roteiristas, os irmãos Coen!), começa muito bem com cenas cuidadosas de batalhas aéreas (e como funcionavam os caças daquela época) e vamos conhecendo a vida de Zamperini  - interpretado por Jack O'Connell -  aos poucos - de garoto problemático a atleta que, em Berlim, sonhava com sua garantida participação nos Jogos de 1940 (que seriam, ironicamente, em Tóquio). A fotografia, um dos pontos fortes, deu-lhe uma das três indicações ao Oscar de 2015.

O filme se baseou no livro de mesmo nome escrito por Laura Hillenbrand. Quem o leu - não é o meu caso - reconhece que, se algumas cenas foram exageradas, não o foram mais do que o próprio texto...

Se a abertura é realmente muito bem feita, os críticos de Angelina não perdoaram uma das últimas, onde Louis carrega uma tora de madeira como um Cristo.  Aliás, Louis havia prometido, em alto-mar, se dedicar a Deus caso fossem salvos. E eis que surgem japoneses. Isso sim é prova de fé.

Capturado, passa o diabo nas mãos do sádico e esquisitão cabo Watanabe (o cantor japonês Myiavi) em campos de trabalhos forçados. Um momento merece a atenção do espectador: a guerra de propaganda. Os japoneses identificam o atleta olímpico e lhe oferecem uma oportunidade de se comunicar, pela rádio, com sua família. O programa, transmitido nos EUA, surpreendeu os americanos, já que Louis era dado como morto. Evidentemente, isso tinha um preço - outras manifestações radiofônicas, criticando a América. Ele se recusa - e volta ao campo - mas o filme mostra militares americanos venais que frequentavam restaurantes em Tóquio. 

A obra se encerra com o Zamperini real; aos oitenta, carregou a tocha olímpica; em 2014, morreu, aos 97 anos. Watanabe nunca quis reencontrá-lo. Procurado pelos americanos, conseguiu se esconder de todos, ressurgindo após o término da ocupação. Nunca foi preso ou processado.

O Rio segundo C.L.

O Instituto Moreira Salles criou um mapa da cidade na obra de Clarice Lispector.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Uma mensagem de Primo Levi neste 27 de janeiro

Há 70 anos o campo de Auschwitz era libertado pelos soviéticos.


É isto um homem?
(Primo Levi)

Vocês que vivem seguros


em suas cálidas casas,

vocês que, voltando à noite,


encontram comida quente e rostos amigos, 


                       pensem bem se isto é um homem 

               
                       que trabalha no meio do barro,

                       que não conhece paz, 

                       que luta por um pedaço de pão,

                       que morre por um sim ou por um não.

                       Pensem bem se isto é uma mulher, 

                       sem cabelos e sem nome, 

                       sem mais força para lembrar,

                       vazios os olhos, frio o ventre,

                       como um sapo no inverno.

Pensem que isto aconteceu:

eu lhes mando estas palavras.

Gravam-na em seus corações,

estando em casa, andando na rua,

ao deitar, ao levantar;

repitam-nas a seus filhos.

                        Ou, senão, desmorone-se a sua casa,

                         a doença os torne inválidos,

                         os seus filhos virem o rosto para não vê-los.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Mário de Andrade em Paraty

A edição da FLIP deste ano homenageia Mário de Andrade, de quem, para ser honesto, apenas li, na escola, Macunaíma. O curador do festival, Paulo Werneck, destaca que, para além da obra literária, Mário de Andrade se destacou como o criador (com Rodrigo Melo Franco de Andrade) do IPHAN. E completa: a preservação de Paraty deve muito a Mário.


A promessa é a reedição de seus livros.


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