Foi divulgada hoje a programação completa da edição de 2013, que pode ser conferida aqui.
Biblioteca do Fabio
Livros, filmes, livros sobre filmes, filmes sobre livros.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
quarta-feira, 22 de maio de 2013
As casas de Nabokov
Deveria aproveitar e montar uma imobiliária especializada em casas de escritores. Aqui vão duas moradas de Vladimir Nabokov.
Nesta, em São Petersburgo, ele passou os primeiros 18 anos:
Esta aqui ele herdou, em 1916, também em São Petersburgo. Rozhdestveno. Deve ter sido muito azar herdar uma propriedade dessas a um ano da Revolução de 1917...
Nesta, em São Petersburgo, ele passou os primeiros 18 anos:
Esta aqui ele herdou, em 1916, também em São Petersburgo. Rozhdestveno. Deve ter sido muito azar herdar uma propriedade dessas a um ano da Revolução de 1917...
domingo, 19 de maio de 2013
Das Mil e Uma Noites - agora, com Rimsky-Korsakov
Meu primeiro contato com as mil e uma noites foi através de adaptações editadas pela Ediouro. Lembro-me de uma edição de Ali Babá e os 40 Ladrões, recontada por Carlos Heitor Cony.
Desde que comprei o primeiro dos quatro volumes, em 2005, venho lendo eventualmente estas histórias. As noites se sucedem; histórias são contadas dentro de outras histórias que são parte de outras histórias.
Antes de tudo começar, o rei Sahriyar encara sua triste realidade:
Durante dez dias, preparou-se para a viagem, e, deixando em seu lugar um oficial, arrumou as coisas e foi passar a noite com o vizir, junto ao qual permaneceu até bem tarde, quando então retornou à cidade, subindo ao palácio a fim de se despedir da esposa; ao entrar, porém, encontrou-a dormindo ao lado de um sujeito, um dos rapazes da cozinha: estavam abraçados. Ao vê-los naquele estado, o mundo se escureceu todo em seus olhos e, balançando a cabeça por alguns instantes, pensou: 'Isto e eu nem sequer viajei; estou ainda nos arredores da cidade. Como será então quando eu de fato tiver viajado até meu irmão lá na Índia? O que ocorrerá então depois disso? Pois é, não é mesmo possível confiar nas mulheres!
Matou a mulher e afinal viajou. Mas já estava convencido do que deveria fazer. Ao voltar, decidiu que jamais passaria mais de uma noite casado - era a forma de não ser traído. Casava-se e matava a esposa na manhã seguinte. Até, claro, casar-se com a esperta e inteligente Sahrazad - a de nobre estirpe, explica o tradutor.
Depois de consumado o casamento, ela começa a contar uma história, que acaba prendendo a atenção do rei, que se vê impedido de matá-la ao amanhecer, curioso que estava para saber o seu final. E assim as noites se sucedem.
Aqui, um vídeo com a suíte sinfônica de Rimsky-Korsakov. Os europeus - e particularmente os russos - sempre foram fascinados por essas narrativas.
Antes de tudo começar, o rei Sahriyar encara sua triste realidade:
Durante dez dias, preparou-se para a viagem, e, deixando em seu lugar um oficial, arrumou as coisas e foi passar a noite com o vizir, junto ao qual permaneceu até bem tarde, quando então retornou à cidade, subindo ao palácio a fim de se despedir da esposa; ao entrar, porém, encontrou-a dormindo ao lado de um sujeito, um dos rapazes da cozinha: estavam abraçados. Ao vê-los naquele estado, o mundo se escureceu todo em seus olhos e, balançando a cabeça por alguns instantes, pensou: 'Isto e eu nem sequer viajei; estou ainda nos arredores da cidade. Como será então quando eu de fato tiver viajado até meu irmão lá na Índia? O que ocorrerá então depois disso? Pois é, não é mesmo possível confiar nas mulheres!
Matou a mulher e afinal viajou. Mas já estava convencido do que deveria fazer. Ao voltar, decidiu que jamais passaria mais de uma noite casado - era a forma de não ser traído. Casava-se e matava a esposa na manhã seguinte. Até, claro, casar-se com a esperta e inteligente Sahrazad - a de nobre estirpe, explica o tradutor.
Depois de consumado o casamento, ela começa a contar uma história, que acaba prendendo a atenção do rei, que se vê impedido de matá-la ao amanhecer, curioso que estava para saber o seu final. E assim as noites se sucedem.
Aqui, um vídeo com a suíte sinfônica de Rimsky-Korsakov. Os europeus - e particularmente os russos - sempre foram fascinados por essas narrativas.
Evidentemente, não li todas as histórias. Agora, acabo de ler a de Aladin (do quarto volume). As pessoas em geral só se lembram da lâmpada mágica, esquecendo-se do seu anel não menos maravilhoso - que afinal vai ajudá-lo a resolver o problema.
Max Liebert, Aladdin no Jardim Mágico
Jarouche passou anos na tradução, dos ramos egípcio e sírio; ganhou vários prêmios. Resgatou o erotismo intenso - explícito - que os ingleses e franceses andaram tolhendo, como Richard Burton. Por todas as noites, sua irmã de quatro anos está debaixo da cama; quando o casal encerra suas "atividades noturnas", ela se levanta e pede mais uma história...
As Mil e uma noites povoam todo nosso imaginário; Alberto Mussa, por exemplo, destaca que estas histórias estão na base de muitas outras que hoje conhecemos e em relação às quais não fazemos a menor ligação com a literatura árabe.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Conto da semana, de Ronaldo Monte
O conto da semana pode ser lido, diretamente do Jornal Rascunho, aqui. O autor, Ronaldo Monte (1947) nos conta de um Quijada que mora na Paraíba, vítima de uma Dulcineia que também não vale um centavo - e ainda por cima implica com os livros de sua biblioteca... No final, a resposta adequada para uma pergunta imprópria.
Herdara o sobrenome do pai espanhol que cansou de viver na pobreza fora das muralhas da cidade de Toledo e veio morrer de pobreza numa casa de vila no bairro de Jaguaribe. Foi a única herança que seu pai lhe deixou: o sobrenome de Quijada. Odiava que o chamassem pelo nome de Miguel, pois ninguém o pronunciava como gostava, com o 'ele' final acentuado, como seu pai o chamava. Também não gostava quando abrasileiravam seu sobrenome, esquecendo de pronunciar o "rê" no lugar do "jota". Antigamente reclamava, mas ninguém ligava. Afinal, quem iria saber como se pronunciava o nome de um contínuo de repartição pública estadual, de paletó puído e a barba sempre por fazer?
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Sobre as Mil e Uma Noites...
Imaginemos um jogo entre pessoas cultas, em que cada participante eleja os dez maiores clássicos da literatura universal. Não importa o lugar, não importa a época, não importam as pessoas: o único título comum a todas essas listas será, necessariamente, o Livro das mil e uma noites. Embora seja uma obra essencialmente árabe, pelo espírito e pela língua, muita gente ainda parece obstinada em lhe apontar as "fontes", que vão buscar na Índia ou na Pérsia antiga. Com isso, negam aos árabes o mérito de uma de suas maiores criações. É curioso que esses mesmos sábios nunca tenham se preocupado em encontrar as fontes árabes de clássicos como o Decamerão, a Divina Comédia, o Poema de El-Cid, o Livro do Conde Lucanor e mesmo Robinson Crusoé - todos eles recheados de histórias, argumentos e ideias preexistentes na literatura árabe.

Alberto Mussa, para a edição brasileira - espetacular - do Livro das mil e uma noites, Editora Globo, tradução direta do árabe de Mamede Mustafá Jarouche
La Maison du Chat-qui-pelote, Balzac
A reedição da obra de Balzac, naquela que é considerada a melhor tradução do mundo da Comédia Humana, por Paulo Rónai, é um acontecimento a ser celebrado. Já foram editados os quatro primeiros volumes. Um bom projeto: ler todos os romances e contos...
Na última semana, li o primeiro de todos - La maison du chat-qui-pelote, Ao Chat-qui-pelote, na versão de Rónai.
Disse Balzac:
A ideia primeira de A Comédia Humana foi para mim, a princípio, como que um sonho, como um desses projetos impossíveis que se acariciam e se deixam voar; uma quimera que sorri, que exibe seu semblante feminino e logo em seguida distende as asas, subindo para um céu fantástico. Mas a quimera, como tantas quimeras, transforma-se em realidade; tem suas imposições e suas tiranias, às quais se é forçado a ceder. Essa ideia nasceu de uma comparação entre a humanidade e a animalidade.
Como bem apresenta Rónai, este primeiro romance já contém muito da Comédia. A vida dos comerciantes; a descrição esmerada de Paris, a presença de personagens que efetivamente existiram (como o pintor Girodet), os conflitos entre classes e os casamentos... Para os advogados, as menções ao Tribunal do Comércio e as sentenças dos cônsules. Balzac é, aliás, um curso de Direito dos melhores que há por aí...
A Maison do título é uma casa de tecidos, na rua Saint Denis, comandada pelo senhor Guillaume, um comerciante da velha guarda, um desses notáveis guardiães dos antigos costumes. Muito habilidoso - sobreviveu, como poucos, a um congelamento que de fato existiu na França - o tal Maximum (dá-lhe Rónai e suas notas do tradutor). O casal tem duas filhas, Augustina e Virgínia
Virgínia e José Lepas, um caixeiro de confiança do velho, são o casal "racional"; meio sem sal, sem graça, mas são eles que tocam o barco e vivem convencionalmente bem. E olha que Lepas estava interessado, inicialmente, em Augustina, a mais nova. Mas não se casa a mais nova antes da mais velha. Já Augustina cai na besteira de se apaixonar por um pintor, Theodore de Sommervieux; inicialmente o moço corresponde a todas as expectativas, mas a filha do comerciante nunca se encaixa plenamente no mundo do intelectual.
É lógico que isso não duraria para sempre. Não só Theodore procura a duquesa de Carigliano - que voltará em diversos momentos ao longo da Comédia -, em busca de coisas que a filha do comerciante não pode lhe proporcionar (sequer entender) - a própria Augustine lhe implora por dicas sobre a arte da sedução. E é claro que isso não vai dar certo.
Balzac encerra o romance: "As humildes e modestas flores, desabrochadas nos vales, morrem talvez", dizia ele de si para si, "quando são transplantadas para muito perto do céu, na região onde se formam as tormentas, onde o sol é escaldante".
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Conto da semana, de Dan Lungu
Dan Lungu (1969) nasceu na Romênia e é o autor do conto A esposa das 7 horas, publicado este ano na série Best European Fiction. É muito conhecido na Europa, e sua obra vem sendo traduzida para diversos idiomas.
Aqui, um sujeito sai exausto do trabalho, em mais uma sexta-feira; as vendas andam boas, tudo vai bem. Mas ele não quer ir a lugar algum. Sai do carro e olha para as montanhas. Está ansioso para as 19 horas. Já sente dor de cabeça pelo fim de semana que se avizinha. E, para combatê-la, recorre a Carolina, sua "mulher das 19 horas", um horário sempre reservado para ele. Ele é um bom cliente, afinal, e ninguém poderia lhe tirar esse horário. Ela, inclusive, sempre espera por ele.
Mas não hoje.
Recorre à Renata - ah, você é o cliente das 19, não? Parte, então, para o encontro, digamos, alternativo, que é o que lhe resta.
O sujeito depende de Carolina que, descobre, está para largar esta vida. Em tempos de 50 tons, uma narrativa seca, em que o personagem é absolutamente perdido, sem qualquer expectativa além do encontro das 19 horas. E, com a história, a antologia mostra aspectos menos explorados da Europa moderna...
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