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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Revista Samizdat 41



Acessível aqui ou aqui. Participo com a tradução de alguns contos curtos do escritor mexicano Roberto Abad

RECOMENDAÇÃO DE LEITURA
A girl is a half-formed thing, de Elimear McBride, a herdeira de Joyce e Beckett, Henry Alfred Bugalho

AUTOR EM LÍNGUA PORTUGUESA
A solidão, António Feliciano de Castilho
Terceiro Serão do Casal, António Feliciano de Castilho
A Romaria, António Feliciano de Castilho
Os Treze Anos, António Feliciano de Castilho

CONTO
O Anjo Purificador, Joaquim Bispo
Caminho pelas ruas..., Rafael F. Carvalho
La Bobera, Emerson Braga
Pitanga, Yvisson Gomes dos Santos
virgem mulher, Vivian de Moraes
Réquiem, Tatiana Alves
To Selfie or Not to Selfie, Julia Antuerpem
Filogênesis, Marcelo Soriano
Um Corte para Hollywood, Bruno Scuissiatto
Acalanto de Passagem, Cinthia Kriemler
Olhares Paralelos, Mario Filipe Cavalcanti
Florentino Barbeiro, Maria de Fátima Santos

TRADUÇÃO
Uma Casa Assombrada, Virginia Woolf
Segunda ou Terça-Feira, Virginia Woolf
Azul e Verde, Virginia Woolf
A Primeira Vez, Roberto Abad

CRÔNICA
Odeio Futebol, Henry Alfred Bugalho
Entrando numa fria, Mario Luis Grangeia
Ama, do Verbo Amar, Ana Paula Costa
Um amor possível, Cecília Maria de Luca

POESIA
Inexplicável, Edweine Loureiro
Porto, Leonardo Alves
Permanência Perene em Estado de Ser-em-si, Igor Melo de Sousa
Infiltração, Priscila Rôde
Monogamia Nômade, Maria Giulia Pinheiro
Floriano, Daniela Zappi
ovc, xx, xy, Volmar Camargo Junior
Nodo, Ju Blasina
Luz na Rua, André Foltran


domingo, 27 de julho de 2014

Grande Hotel Budapeste (2014), de Wes Anderson


Finalmente, consegui assistir ao Grande Hotel Budapeste, de Wes Anderson. Uma mistura de ambientação histórica e mágica, numa hipotética república da Mitteleuropa - Zubrowka. Ralph Fiennes é o grande destaque, como o M. Gustave - famoso concièrge do então não menos famoso hotel. Estamos em algum momento dos anos 30 (ainda que algumas cenas me pareçam ainda anteriores, ou contemporâneas à Primeira Guerra, especialmente as do trem).

Junto com Zero Moustafa (Anthony Quinonez), o lobby boy, o concièrge, conquistador de senhoras ricas e, preferencialmente, com mais de setenta anos, procura uma valiosa pintura da Renascença que recebeu de herança de uma dessas velhas, Madame Celine Villeneuve Desgoffe und Taxi, que acaba de bater as botas - Tilda Swinton, como sempre, fazendo (muito bem, diga-se) personagens esquisitos. Seu filho, Dmitri (Brody), claro, não irá se conformar com a opção da mãe. Junta-se aos nazistas (é impossível não associar as flâmulas com o ZZ dentro do hotel com as SS), o que somente irá piorar a situação da dupla.

Num elenco recheado de grandes atores (Bill Murray, Adrian Brody, Edward Norton, Willem Dafoe - um assassino à moda Gestapo -, Jude Law, Jeff Goldblum e Mathieu Almaric, para ficar nos principais personagens, todos, sem exceção, excêntricos), o filme homenageia Stefan Zweig. O mundo que eu vi é a grande fonte (mas não a única) do filme.

The Society of the Crossed Keys

Numa das últimas cenas, já nos anos 80, Jude Law (o escritor, também representado por Tom Wilkinson) pergunta ao já idoso Zero Mustafa, atual dono do hotel em descarada decadência -se Gustave não pertencia a um mundo que já não existia. 

Nada lembra mais Zweig, ele mesmo um fantasma que andava por aqui no Brasil, sobrevivente de um mundo que já havia desaparecido algumas décadas antes do suicídio em Petrópolis (mais exatamente em 1918, com o fim do Império Austro-Húngaro). 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Leituras de verão

No verão, somos mais indulgentes, menos atentos e, enquanto no inverno seríamos implacáveis com um livro que começa com "Jacques Saunière, o famoso restaurador, caminhava com dificuldade pelos corredores do Museu do Louvre", abobados pelo calor e contentes, continuamos lendo, letárgicos demais para nos fixarmos nos assombrosos erros gramaticais e nas imbecilidades da história.

Este ano, o clima até está ajudando. Mas, de um modo geral, este artigo do Alberto Manguel não vale muito para estas bandas tropicais: afinal, lemos de forma diferente no inverno e no verão? Não nos sobra muito, principalmente com um verão, na prática, de mais de seis meses e de mais de 35 graus.

Manguel faz umas observações interessantes - Crime e Castigo, por exemplo, se passa no calor insuportável de uma tarde de julho; Hans Castorp chega a Davos, na Montanha Mágica, também no verão.

Mas para nós, ao menos, devemos evitar os verões. E viva Carrier!

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Alguns barbarismos

Do livro Barbarismos, de Andrés Neuman. Algumas são ótimas:

Bandeira: farrapo de baixo custo e alto preço.

Santo: indivíduo tocado por um dom divino de eleger seus biógrafos.

Urna: 1. recipiente que contém os restos de um indivíduo. 2. nas eleições, idem.

Xenófobo: indivíduo que despreza seus próprios antepassados.


Conto da semana, de Eric Chevillard

O conto da semana vem da Best European Fiction 2014 (a mais fraca até agora, o que prova a importância do antologista: o grande romancista Banville não se mostrou um antologista à altura da sua própria ficção). 


O francês Eric Chevillard (1964), com Hippopotamus, traz um narrador em dúvida sobre ir ou não ao Mali, na África. Todos os clichês da chamada literatura de viagens estão aí... 


Um francês comum - "Seu nome poderia ser Jules ou Alphonse. Seu nome poderia ser Georges-Henri". Convidado para ser um escritor-residente no Mali, no fim do mundo, a respeito do qual ele jamais ouvira falar. Está em dúvida - aceita ou não? O que ele pensa é o que todo francês - melhor, todo cidadão de países ocidentais ricos - pensa sobre países pobres: um monte de ideias pré-concebidas, um certo deslumbramento e uma sensação de que, afinal, ele tem muito a oferecer ao Mali. 

Muito mais que um conto sobre a África, Chevillard escreveu um conto ironizando os escritores - e, claro, os leitores - dos guias de turismo. No caso, ainda há a visão do antigo colonizador ( o Mali foi francês até 1960) de um dos países mais pobres do mundo. E acaba apresentando a nada sutil diferença entre o viajante e o turista...


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Sevilha

Já nada resta do Arenal
de que contou Lope de Vega.
A Torre do Ouro é sem ouro
senão na cúpula amarela.

Já não mais as frotas das Índias,
e esta hoje se diz América;
nem a multidão de mercado
que se armava chegando elas.

Já Rinconte e Cortadilho
dormem no cárcere dos clássicos
e é ponte mesmo, de concreto,
a antiga Ponte de Barcos.

Urbanizaram num Passeo
o formigueiro que antes era;
só, do outro lado do rio,
ainda Triana e suas janelas.

(João Cabral de Mello Neto)

Ivan Junqueira e Dom Quixote

Ivan Junqeira faleceu na semana passada. Aqui, um artigo de sua autoria, publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional, sobre a influência do romance de Cervantes na literatura brasileira.