sábado, 24 de setembro de 2016

Arturo Pérez-Reverte

Para quem pensa que algumas coisas que se passam são exclusividades destas terras...

Trecho da entrevista de Artur Pérez-Reverte:

A boa e velha Europa dos direitos do homem, que iluminou o mundo, essa Europa que nasce na Bíblia, no Talmude, no islão, em Homero e em Dante, em Virgílio, Camões, Cervantes, Voltaire e Rosseau, na Enciclopédia e na Revolução Francesa, essa Europa foi condenada à morte. E isso é um problema de educação. Estamos a criar gerações de jovens que carecem de mecanismos culturais e históricos que lhes permitam saber quem são. Estamos a criar órfãos culturais. Todo o sistema educativo europeu está feito para esmagar a inteligência. Para a igualar à mediocridade.

Mas alguma vez foi diferente?
Antes era diferente, sim. Antes, o miúdo brilhante era apoiado, potenciado, porque sabiam que dali sairia a elite do futuro. Aqueles que poderiam iluminar os que o não são.

Mas isso não era característica de um ensino mais elitista? Talvez o nível médio tenha descido porque agora muitos mais têm acesso à educação.
Não. Uma coisa é todos terem acesso, que é um princípio irrebatível. Outra coisa é que os brilhantes não tenham direito a subir a um patamar superior. Se numa turma há um medíocre e um brilhante, o medíocre não pode ficar para trás, mas o brilhante não pode ser mandado para trás do medíocre. Ou estaremos a esmagar a inteligência. Veja os políticos. Onde está um Churchill? Um Adenauer? Um De Gaulle, um Kennedy?

A entrevista foi publicada no Caderno Ipsilon, do jornal português Público, e pode ser lida, na íntegra, aqui.

sábado, 17 de setembro de 2016

Autobiografia de Nicolae Ceausescu, de Andrei Ujica




Vinte e cinco anos da História romena. O blog tem uma queda por filmes sobre a queda do bloco soviético. Este é uma colagem de filmes oficiais, desde o funeral de Gheorghe Gheoghiu-Dej, em 1965 - subiu ao poder com o fim da Segunda Guerra -, até a execução de Nicolau e Elena, no Natal de 1989. 

Para quem acompanhou, pela TV de então e pelas revistas americanas (entre 1988 e 1989 a Time, a cada número, trazia uma grande reportagem sobre o país que havia derrubado o comunismo naquela semana). 

Ceausescu, no início, foi visto como um der sofisticado e modernizante e que, como Tito, buscava independência de Moscou. No final, foi talvez o mais ridículo e sanguinário ditador entre os tantos da região. O culto à sua personalidade atingiu níveis que hoje nos parecem caricatos, nos remetendo à Coréia do Norte.

A partir das 2 horas de filme, a situação de Ceausescu começa a mudar, e surgem os primeiros questionamentos públicos. Meia-hora depois, aparece Gorbachov, e a coisa desanda de vez.

O fim, trágico, levou ao poder líderes que até a véspera eram do establishment. A Romênia foi o extremo oposto da Tchecoslováquia de Havel.

Ujica nasceu em 1951 e, como tantos, fugiu do país. Fez diversos filmes sobre o período pós-Ceausescu. 

O grande mérito é mostrar cenas não apenas dos cinzentos líderes do país e da burocracia dominante, mas também da vida cotidiana, além, claro, do foco no ditador. O problema é que, ao longo de suas três horas, não há qualquer narração. 

Mas vale a pena. Se você quiser algo mais didático, não perca a série Adeus, Camaradas.

 



segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Apostas para o Nobel 2016

Setembro é o mês em que tradicionalmente o blog especula o que especulam os apostadores da Ladbrokes a respeito do Nobel de Literatura.

Até o momento, temos:

1. Murakami (sempre ele)
2. Ngugi Wa Thiong'o (nigeriano)
3. Roth, (Philip)
4. Joyce Carol Oates, também americana
5. Ismail Kadare, albanês
6. Jon Fosse (Noruega)
7. Adonis (poeta sírio)
8. Amós Oz (israelense)
9. Peter Nadas (húngaro)
10. Peter Handke (austríaco)

Lobo Antunes é o escritor de língua portuguesa mais bem cotado, apesar de achar que o próximo Nobel para o idioma irá para Mia Couto.

Essa lista, a essa altura do ano, a menos de um mês para o anúncio, deve ser levada a sério, pois a probabilidade de o escolhido estar aqui é muito grande. Svetlana Aleksijevic estava em primeiro em 2015; Alice Munro em 6º em 2013 e Mo Yan era o 4º em 2012. Só Modiano, em 2014, estava fora dos 10 primeiros.