sábado, 27 de junho de 2015

Os livros da Dolce & Gabbana

Agora é a Saraiva do Village Mall, o shopping da classe AAA do Rio. É a crise; as pessoas não têm dinheiro e livro é caro. Talvez por isso vá dar lugar a uma Dolce & Gabbana, sem dúvida mais voltada para as classes ascendentes nesse momento de crise...

Na mesma reportagem, a informação de que o município tem 100 livrarias, 50 delas no Centro.

A Sorbonne de Sérgio Augusto


Foi como perder um amigo de infância que há muito tempo não via. Um pesar mais simbólico e nostálgico do que afetivo; pois, como ensinava um bolero de Lucho Gatica, a distância nos faz esquecer (em espanhol é melhor: “dicen que la distancia es el olvido”), e eu passei décadas geograficamente afastado da livraria Leonardo Da Vinci. O que não significa que a esqueci; apenas deixei de frequentá-la depois de concentrar minhas atividades profissionais na zona sul do Rio e de receber minhas revistas francesas (Cahiers du Cinéma, Positif, Critique, Esprit, Communications, etc.) diretamente de Paris e a comprar in loco os livros que antes só me chegavam da Europa através da Da Vinci, a nossa La Hune.

Artigo do imperdível Sergio Augusto no Estadão - o melhor sobre o fechamento da Livraria Leonardo da Vinci - que pode ser lido, mediante cadastro, aqui.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Timbuktu (2014), de Abderrahmane Sissako

Descobri na TV, quase por acaso, o menos falado dos candidatos ao Oscar de filme estrangeiro de 2015, o ótimo Timbuktu, de Abderrahmane Sissako.

Timbuktu (2014) Poster

Por maiores que sejam as fronteiras que esta Biblioteca se propõe a cruzar, nem em meus maiores delírios imaginei postar sobre o Mali - e, menos ainda, sobre um filme de um diretor de lá.


Timbuktu - a cidade histórica, que vem sendo tragada pelas areias do deserto - foi um importante centro de difusão de conhecimento e do islamismo na África, tendo vivido sua era de ouro lá pelo século XVI. Até hoje conserva manuscritos de valor inestimável, que vem sendo saqueados ao longo das inúmeras guerras e invasões...

O filme de Sissako é uma preciosidade. Começa com a cidade sendo ocupada pelo Exército Islâmico (o foi por alguns meses), espalhando terror e extremismo já por todos conhecidos. Nada de música (ou 40 chibatadas). E nada de futebol - uma das grandes cenas mostra uma partida sem bola. A população tenta se adaptar ao novo regime - um aspecto interessante - o filme é falado em várias línguas, como o tuaregue, o árabe, o francês. Para os jihadistas, os locais não são muçulmanos o suficiente.

Obs.: os jihadistas, apesar da proibição, conversam sobre o esporte e discutem sobre Messi. Lá pelas tantas um deles afirma peremptoriamente que o Brasil vendeu a final de 1998 - "um país pobre, a França enviou um navio cheio de arroz"...

Uma família tuaregue - o núcleo central da trama - tem problemas com um pescador encrenqueiro. Este mata a vaca predileta da filha de Satima; o marido/pai vai tirar satisfações e acaba matando o desagradável desafeto. Isso o coloca sob a mira da Sharia. A mãe também tem problemas - é cortejada por um dos invasores, Abdelkerim. A partir daí, a história se adensa, fica mais dramática e emotiva - como a frase de Kidane, o marido de Satima, prestes a ser executado, ao explicar porque não está procurando a direção de Meca. 

História intensa, grande roteiro, fotografia muito apurada e cenas e diálogos antológicos fazem de Timbuktu um dos grandes injustiçados pela Academia deste ano.

domingo, 21 de junho de 2015

Ainda o manuscrito de Bioy Casares

Reproduzo a resposta de Daniel Martino, citado no artigo do El Clarín no post sobre o manuscrito de Bioy Casares. Segundo Marino, o jornal argentino alterou suas declarações. 


La nota “Pagaron U$S 40.000 por un manuscrito de Bioy Casares”, publicada en la sección “Cultura” de Clarín el día 12 de junio, altera completamente mis palabras. Bioy no “acostumbraba a cambiar sus escritos todo el tiempo”: excepcionalmente lo hizo en La invención de Morel, obra de transición entre estéticas. El Castillo de los Cárpatos de Verne es una las principales, no la única, inspiración de la novela, mucho menos “filial” respecto de La isla del Dr. Moreau de lo que afirma Borges. En el texto de Christie's, Morel se llama “Guerin”; Faustine, “Justine”. Con Guerin, Bioy aludía al poeta Charles Guérin y a la novela Charles Guérin; Roman de moeurs canadiennes, de P. Chauveau. A último momento, decidió dejar caer el “Guerin”, por ser un apellido de pronunciación ambigua en español, y lo reemplazó por “Morel”, apellido de Honorine, la mujer de Verne. El Justine de la primera versión viene a confirmar, a través del juego Justine/Honorine, esa primera forma de saludo a Verne, innecesaria al rebautizar “Morel” al inventor. DANIEL MARTINO

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A Magna Carta, o Rei João e Robin Hood



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É claro que o rei João não se ajoelhou aos pés de Robin Hood, mas é interessante lembrar hoje, dia 15 de junho, quando a Magna Carta completa 800 anos, a ligação entre a ficção e a História, na criação do que pode ser considerado o mais importante documento da democracia.

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João Sem-Terra. John Lackland. Nasceu em Oxford, 1166, o quarto filho de Henrique II, o que lhe custou toda possibilidade de receber uma herança - daí seu apelido. Quando o irmão Ricardo (Coração de Leão) assume o trono, em 1189, recebe mais um golpe e, obviamente, irá fazer de tudo para tomar o poder. Em 1199, Ricardo é morto e João, finalmente, torna-se rei.

Para custear as guerras, Ricardo aumentou drasticamente os impostos a um nível inédito na Inglaterra. Para piorar, ao retornar de uma Cruzada, foi feito prisioneiro dos alemães. Há quem diga que o resgate cobrado (e pago) seria equivalente a 2 bilhões de libras.

Na época de João, o cofre estava vazio, mas as demandas, explodindo como nunca. Ele herdou uma situação financeira caótica e se viu compelido a apertar ainda mais o cinto, o que, obviamente, não ajudou em sua popularidade. E não era particularmente habilidoso no trato com os barões.

É o vilão dos filmes de Robin Hood que assistimos. Mas nem sempre foi assim - nas monarquias, assim como no Brasil, o passado é um evento incerto. 

Os Tudors, por exemplo, o tinham em alta conta, e viam em seus atos a coragem necessária para desafiar Roma. Parece que o vilão nasceu mesmo na era Vitoriana, que via na sua conhecida devassidão uma ameaça à ideia romântica do cavaleiro medieval honrado.


Será sempre lembrado pela Magna Carta, de 1215, que limitou o poder real. Para Churchill, o documento "limitou e moderou o poder do rei, conferindo ao monarca a necessária força, mas coibindo eventuais abusos por um tirano ou um tolo". Seu texto, traduzido para o português, pode ser lido aqui (Biblioteca Virtual de Direitos Humanos, da USP).


E será lembrado tambén, é claro, pela briga com Robin Hood.




sábado, 13 de junho de 2015

A invenção de Morel por US$ 40 mil

Correcciones. Una página del texto, con las marcas del autor.

Na matéria publicada pelo Clarín, de Buenos Aires, a arrematação do original, datilografado e com correções à mão pelo autor, de A invenção de Morel. 

O livro de Bioy Casares, diz o texto, teve um percurso curioso: o escritor americano Donald Yates, tradutor do primeiro livro de contos de Borges para o inglês, por volta de 1962, conta que Bioy o deu de presente a Borges que, por sua vez, deu-o ao tradutor. Anos depois, em uma visita a Buenos Aires, Yates pediu ao próprio Bio que autografasse e lhe dedicasse o exemplar.

Segundo Daniel Martino, a inspiração de Bio Casares não foi A ilha do Dr. Moreau, mas sim, Julio Verne - no original, Morel se chama Guerin, e Faustine, Honorine, "como a esposa de Julio Verne".

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Daniel Hevier

TERRA DE GELO

a ideia
de que existe algures
um país como a Islândia

ajuda-me a sobreviver

(Daniel Hevier) Do site Poesia Ilimitada.

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No próximo verão, lembre-se da Islândia




Padura ganha o Príncipe das Astúrias

Cubano Leonardo Padura vence o prêmio Princesa das Astúrias das Letras Ivan Giménez/Divulgação,Editora Boitempo

Na verdade, Princesa das Astúrias, como agora se chama o tradicional prêmio - coisas de monarquia. Ele estará em Paraty, na Flip deste ano.