quarta-feira, 28 de maio de 2014

Ratos de biblioteca

Uma daquelas listas tão inúteis quanto divertidas: dez livros sobre leitores compulsivos, verdadeiros ratos de livrarias.

Saiu no Guardian e, evidentemente, tem uma predominância de autores ingleses e americanos - honrosa exceção, claro, é Cervantes.

E você? Acrescentaria qual livro?

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Getúlio (2014)






Consegui assistir ao filme dirigido por João Jardim e estrelado por Tony Ramos (Getúlio), Drica Moraes (Alzira), Alexandre Borges (Lacerda), entre outros. Em 1994, assisti à peça no próprio Palácio do Catete e, na mesma época, a minissérie global (e muito boa, tal como o romance de Rubens Fonseca) Agosto. As comparações são inevitáveis, ainda que os enfoques de cada um sejam diversos. O do filme é bem particular: os eventos a partir do atentado da Toneleros sob a ótica do Palácio.

Os últimos dias de Vagas, sob o ponto de vista do próprio e de seu núcleo, a esta altura encastelado no Catete. A reconstituição do Rio - desde Copacabana (morava muito perto do prédio da Toneleros) ao clima de tensão que dominava a cidade - é um dos pontos fortes.

Em determinado momento, Vargas lembra ser especialista em constituições - "eu mesmo já rasguei duas", ironizando seu papel de ditador (aliás, é curioso como praticamente tratamos os presidentes de 1930-1945 e 1954 como duas pessoas diferentes, mas isso é outra história). No filme, Vagas foi um ditador, mas também mais do que isso. Ele resiste às sugestões de um novo golpe para tomar conta da situação, momentos antes do suicídio.

Outro ponto interessante é a ideia de que Alzira chegou a ler a carta de despedida - naquele momento, "para um discurso", dizia o pai. A carta aparece em vários momentos como um documento que deveria estar à mão. Mas me lembro do início dos diários (em dois volumes, publicados pela Siciliano em parceria com a FGV), em que Vagas da a entender, em 1930, que se algo saísse muito errado, um tiro seria a solução. No fatídico dia 24, lembra o personagem, a morte de Getulinho fazia aniversário - ele não se perdoava de não estar no Rio naquele momento. Darcy Vargas também não o perdoou.

O Getúlio do filme é um presidente velho e fisicamente acabado, politicamente isolado, traído dentro do próprio palácio, e atormentado com a ideia de vê-lo invadido (e ver-se algemado). Se a atuação de Tony Ramos (excelente) está sendo sempre destacada, deve-se prestar atenção à de Drica Moraes - que está ainda melhor como Alzira.

Mas  - nada contra Thiago Justino - Gregório mesmo é o Tony Tornado, de Agosto...

quinta-feira, 15 de maio de 2014

A ditadura das acácias

De um modo geral, as capas da maioria dos romances "sobre a África" parecem ter sido feitas por alguém cuja principal ideia sobre o continente vem de O Rei Leão.


Michael Silverberg, em interessante e provocativo artigo, em inglês, publicado na The Atlantic, sobre a incrível ditadura das acácias nas capas dos romances "passados na África". Aqui.

FLIP 2014 - Programação

No dia 13 foi divulgada a programação da FLIP 2014. Curiosidade em ouvir Vladimir Sorokin, Elif Bautman, Etgar Keret, Juan Villoro, Daniel Alarcón, além dos Millormaníacos e a mesa sobre os 50 anos do golpe. Quem vai?

O Cisne e o Aviador, de Heliete Vaitsman

terça-feira, 6 de maio de 2014

O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura

O homem que amava os cachorros
Leonardo Padura
Tradução de Helena Pitta
Boitempo, 2014, 592 p.



Um livro sobre o assassinato de Trotsky escrito por um cubano residente na ilha, recomendado pela Presidente da República e editado no Brasil por uma editora de esquerda, com um pequeno texto do Frei Betto. Nada que me dê ganas de encarar um tijolo de quase 600 páginas. Mas fui em frente e hoje concluo a leitura do que talvez seja o melhor livro que li este ano.

São três cenários: O primeiro, da fuga épica do casal Bronstein - inimigo da Revolução - pelo Casaquistão, passando uma grande temporada na Turquia de Mustafá Kemal (o único a lhe abrir as fronteiras, ainda que Trotsky soubesse que não poderia ficar por lá por muito tempo) e terminando seus dias no México (Coyoacán). Em Barcelona, em plena Guerra Civil, Ramón Mercader é recrutado para executar as ordens de Stalin e se livrar do incômodo rival. E, em Cuba, Iván quer se tornar escritor e tem um encontro com um estranho personagem - Jaime López, o próprio Ramón, um sujeito que também tem paixão por cães. Ele passou por várias prisões mexicanas, foi para Moscou e terminou seus dias em Cuba, onde morreu em 1978.

A vida de Iván mudou ao conhecer Ana - foi isso que tornou a vida em Cuba falida com o fim da URSS mais tolerável. Ramón era um sujeito complicado, envolvido com duas mulheres: a mãe, Caridad del Río e a amante Africa de las Heras (elas existiram, efetivamente). Melhor mesmo ir ao México. Já Trotsky aparece com Natália e Frida Kahlo. 

Padura mostra a relação de Trotsky com os políticos locais dos países em que viveu. E também com os artistas: além de Frida Kahlo, Diego Rivera. Outro ponto interessante é a visão bastante crítica dos republicanos. Os stalinistas de Moscou dominaram e manipularam o movimento de forma gritante e com mão de ferro.  

Estas três histórias vão correndo paralelamente (obviamente, uma hora Ramón passa a conviver com Trotsky). A estratégia do autor funciona realmente muito bem - afinal, todos já sabemos que, mais página menos página, uma picareta irá destruir o crânio de Trotsky.  Em nenhum momento o texto se torna entendiante ou desnecessário. Também não se torna um livro didático (defeito que volta e meia destrói obras de ficção de fundo histórico). O ritmo é alucinante, e não à toa os direitos de adaptação para o cinema já foram devidamente adquiridos por uma produtora francesa.

O único incômodo está numa simpatia inegável do por Trotsky; ele é visto como um sujeito que poderia ter dado um rumo diferente às coisas... o próprio Padura já disse, em algumas entrevistas, que o que destruiu o socialismo e a URSS foi o próprio socialismo stalinista, e não os EUA. É um pouco esquisito. Mas, como obra literária, impecável.





domingo, 4 de maio de 2014

Dia 4 na Revista Samizdat

Um microconto do escritor e músico mexicano Roberto Abad. Seus trabalhos apareceram no Ficciones Mínimas e merecem uma olhada. E faço minha primeira tradução do espanhol. Aqui,