quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Revista Samizdat nº 38 - O Mestre Machado

Acaba de sair a edição nº 38 da Revista Samizdat.. Nela, minha entrevista com David Dephy - suas influências literárias, seu romance Os jardins e o Pandemônio e sua relação com Laurie Anderson e Salman Rushdie, que o levaram a Nova York e ao público americano.



Neste número:

ENTREVISTA
David Dephy Gogibedashvili

AUTOR EM LÍNGUA PORTUGUESA
A Cartomante, Machado de Assis
Luíza, Trindade Coelho

AUTOR CONVIDADO
ELA, Sérgio Tavares

CONTO
A Estátua sem Rosto, Joaquim Bispo
Eu sou o amor, dele..., Rafael F. Carvalho
Uma Vida, Rodrigo Zafra
A História da Aurora, Japone Arijuane
Rebeca, Alive Viana
Ela, despindo-se na noite, Carlos Eduardo Paulino Murta Café
Vai tricô e vem meia, Cinthia Kriemler
A Salvação da Lavoura, Zulmar Lopes
Perfume de Mulher, Lionel Mota

TRADUÇÃO
Queda que as mulheres têm para os tolos, Victor Hénaux

ARTIGO
O Mito do Bestseller Brasileiro, Henry Alfred Bugalho

TEORIA LITERÁRIA
O Sonho de Lancelot: Pesságio da Derrocada dos Valores Medievais, Rafael Geraldo Vianney Peres

POESIA
Consiste em prendê-lo em cola, Danilo Augusto de Athayde Fraga
Borboleta Esquecida, Fernanda Azevedo de Morais
Viagem Eterna, Fernanda Azevedo de Morais
angustura, Rodrigo Uriartt
O ato de nomear, Lilian da Silva Ney
Story 7, Luiz da Franca
Envoltório, Nathan Sousa
Labirinto, Victor Faria
Antes de partir, Vanessa Regina

CONCURSOS LITERÁRIOS


sábado, 26 de outubro de 2013

Desnorteio, de Paula Fábrio

Desnorteio
Paula Fábrio
Editora Patuá, 2013
140 p.

Um dia a menos. Outro dia a menos. Um dia a menos. Outro dia a menos. Tudo o que se viveu. O tempo que nos resta. Ninguém faz essa conta aos quinze anos. Será que nos abandonamos à loucura num momento de contabilidade?

Talvez tenha sido no inverno que os três irmãos Oliveira se tornaram mendigos, mas o primeiro desvario pode ter acontecido em outra estação. À noite, por certo. Na noite frágil dos nossos pensamentos as possibilidades se alargam.

Amor, loucura e morte não se explicam, mas o percurso até eles tem sua dose de encanto e repugnância. E esta história começa no meio desse caminho. Mais precisamente no vagão da segunda classe de um antigo trem da estrada de ferro sorocabana.

Um jovem ainda sem barba nem bigode estremece ao ouvir o nome da próxima estação. Sem meios de compreender aos seus instintos, o rapaz só consegue se lembrar que há horas não coloca nada no estômago.

É o primeiro romance de Paula Fábrio (1970). Uma estreia premiada pela indicação ao Prêmio São Paulo de Literatura. E mais uma investida certeira da editora Patuá.

São múltiplas as vozes que narram a história de três irmãos - Rodolfo, Miguel e Benévolo - que passam a viver como mendigos. A história se inicia no final século XIX e se estende até os anos 2000. A narrativa gira em torno de um casebre, dentro do qual os irmãos estão presos como fantasmas numa mansão mal-assombrada. Um jogo de memórias permeia toda a narrativa. Interessante: numa época em que se publica livros sobre mortos-vivos, aqui os personagens parecem-se - se é que isso exite - vivos-mortos; pessoas que estão vivas, sim, mas absolutamente mortas para o "mundo civil". 

Para além dos irmãos, surgem também personagens femininas. E é interessante como Fábrio usa o carnaval, que em nossa literatura  - e para todo o mundo - é sinônimo de cor e alegria, mas que aqui é um evento muito mais sombrio. 

Uma história essencialmente violenta, mas que Fábrio consegue desenvolver de forma pungente, com muita energia mas sempre com elegância na escrita, sem cair na rotina do texto explicitamente violento, que por tanto tempo dominou toda a narrativa brasileira.

Das leituras obrigatórias

As leituras obrigatórias têm uma importância pedagógica enorme. Os alunos precisam aprender literatura e interpretação de textos na escola, e ler é sem dúvida a melhor maneira de fazê-lo. Dito isso, não é difícil perceber que obrigar um aluno a ler um livro e fazer uma prova sobre ele é uma péssima maneira de incentivar a leitura. Muitos desistem do livro após a formatura. Outros até voltam a ler, mas deixam de lado os autores que a escola lhes forçou goela abaixo. É raro ver um adulto lendo Machado de Assis, por exemplo. A ironia refinada de um dos maiores escritores da história do país é desperdiçada em adolescentes que leem resumos de seus livros, decoram nomes de personagens, respondem a perguntas de vestibular e, depois, esquecem-se dele para sempre. O lirismo de Manuel Bandeira torna-se uma chatice insuportável quando somos obrigados a nos comover com ele. Até o humor de Macunaíma perde toda a graça.

O artigo de Danilo Venticinque pode ser lido aqui. Sobrevivi a todos os prognósticos; sempre gostei de Machado de Assis (ainda que hoje infinitamente mais que com dezessete anos), mas efetivamente Mario de Andrade nunca me animou.







Conto da semana, de Zarko Kujundziski

O conto da semana está na BEF 2013 - na próxima semana será lançada a edição de 2014, desta vez editada pelo John Banville. When the Glasses are Lost. O autor é Zarko Kujundziski (1980), que narra um incidente num elevador, que fica parado por toda uma noite. Os trechos foram traduzidos "livremente" (se é que isso existe) por mim.

Era um verão escaldante quando, de repente, tudo parou. A pequena menina e seu pai empalideceram; talvez o pai estivesse ainda mais apavorado que a menina. Ela não era capaz de reconhecer o medo real, nem estava a par do perigo da situação (...)



Personagens sem nome, presos num elevador por muito tempo - passam a madrugada inteira nele, sem saber exatamente o que lhes irá acontecer.

Os outros passageiros começaram a mostrar que a temperatura, que deveria ser regulada pelo sistema de ventilação, estava aumentando em ondas, cada uma ainda mais insuportável que a última; eles tinham que fazer algo a respeito.

O conto aborda como uma situação de extremo impacto afeta as vidas das pessoas comuns.

O historiador, que antes acusava tudo pela inevitabilidade da história, questionou a decisão do pintor de manter em segredo, por tanto tempo, sua garrafa de água. E o velho concluiu que o pintor parecia estar plenamente preparado para este incidente. O soldado, a mulher de vermelho, o pai e a filha se recusaram a participar deste novo julgamento (...) 

Logo perceberam que estavam realmente se movendo, mas não conseguiam decidir se o elevador estava apenas se movendo para o próximo andar, onde eles inicialmente deveriam parar, ou se estavam indo para o topo do arranha-céus, ou talvez para cair num abismo eterno.

O autor é plenamente bem sucedido em criar toda a atmosfera de tensão. Só não vá lê-lo num elevador.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Eduardo Lacerda, editor-poeta-artesão


O que eu quero é ter liberdade de fazer coisas como publicar o primeiro livro de um menino que eu acredito. Isso é ser uma editora independente - afirma Eduardo, editor-artesão.

O poeta e editor Eduardo Lacerda, da Patuá, no quintal de sua casa


Millôr e a Matemática

Mais uma do Millôr. 

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontratam
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa"
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar, 
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
o Máximo Divisor Comum
frequentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Jerônimo e Ambrósio

Uma gafe eclesiástica foi cometida pela Biblioteca - afinal, São Jerônimo é o padroeiro dos tradutores, mas foi Santo Ambrósio quem espantou Santo Agostinho na sua leitura silenciosa... Uns séculos antes e eu ia para a fogueira.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Conto da semana, de Thomas Bernhard

Sim, ele de novo. Thomas Bernhard (1931-1989), Borges, Gonçalo Tavares aparecem, e aparecerão, com frequência por aqui. Aqui, Sucesso estrondoso, na tradução de Sergio Tellaroli.

Um assim chamado conjunto de música de câmara, famoso por tocar música antiga somente em instrumentos de época e também por um repertório que contempla apenas Rossini, Frescobaldi, Vivaldi e Pergolesi, apresentou-se num antigo castelo à beiro do lago Atter e experimentou nessa ocasião o maior sucesso de sua carreira. Os aplausos só cessaram quando, bis após bis, já não lhes restava repertório a executar. Somente no dia seguinte revelaram aos músicos que eles haviam tocado numa instituição para surdos-mudos.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

O romance e a paternidade, segundo Kundera

Foi relendo Cem anos de solidão que me veio uma ideia estranha: os protagonistas dos grandes romances não têm filhos. Apenas 1% da população não tem filhos, mas pelo menos 50% dos grandes personagens romanescos deixam o romance sem procriar. Nem Pantagruel, nem Panurge, nem Dom Quixote têm descendência. Nem Valmont, nem a marquesa de Merteuil, nem a virtuosa presidente das Ligações perigosas. Nem Tom Jones, o mais célebre herói de Fielding. Nem Werther. Nenhum dos protagonistas de Stendhal tem filhos; o mesmo ocorre com os de Balzac; e de Dostoievski; e no século recentemente terminado, Marcel, o narrador de Em busca do tempo perdido, e, claro, todos os grandes personagens de Musil, Ulrich, sua irmã Ágata, Walter, sua mulher Clarisse e Diotime; e Chveik; e os protagonistas de Kafka, com exceção do jovem Karl Rossmann, que engravidou uma empregada, mas é precisamente por isso, para apagar a criança de sua vida, que ele foge para a América e que o romance pode nascer. Essa infertilidade não é devida a uma intenção consciente dos romancistas; é o espírito da arte do romance (ou o subconsciente dessa arte) que repudia a criação.

Milan Kundera, Um Encontro. ensaios. Tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca, Companhia das Letras.

Lembrei-me, claro, de Bras Cubas, que não transmitiu a nenhuma criatura o legado de sua miséria.

sábado, 12 de outubro de 2013

Manguel sobre Munro

Quando a conheci, me decepcionei. Não queria falar de literatura, muito menos de sua obra; apenas aventurava algum juízo sobre algum livro que havia lido, mas raramente sobre um contemporâneo. Por outro lado, me dei conta de que observava cada detalhe da gente que nos cercava, os gestos que eu fazia, alguma particularidade do café em que estávamos. Em um dos seus melhores contos, Material, uma escritora sentada junto ao leito de um hospital em que sua mãe está agonizando não pode evitar de pensar em como utilizará esta cena em um conto. Imagino que para Alice Munro, assim é a vida: um exercício de observação da resignação, da angústia, da felicidade, da dor dos outros e dela mesma, para depois oferecer aos seus leitores estas pequenas obras-primas em que todos os nossos mundos estão refletidos.

Alberto Manguel sobre Alice Munro. O artigo, em espanhol, foi publicado no jornal El País, e pode ser lido aqui.

Conto da semana, de Alice Munro


Sim, claro. Numa semana em que a Academia sueca homenageia, pela primeira vez, o gênero, o conto da semana só poderia ser da nobelizada canadense Alice Munro - de quem já se disse se tratar do Chekov canadense.

Não havia lido nada dela até agora. Mas em todas as minhas antologias de contos americanos ela está lá. E a primeira curiosidade: os americanos, que adoram falar mal do Canadá, costumam se apropriar de alguns canadenses - Saul Bellow, também Nobel, terminou se naturalizando norte-americano. Provavelmente pelo fato de ela ter publicado seus contos, ao longo de décadas, em revistas como a New YorkerAqui, o acesso a cerca de uma dúzia de contos, todos em inglês.

Há alguns anos o presidente da Academia criticou a literatura americana como insular. Os americanos resolveram de alguma forma - americanizaram, há muitos anos, Munro.

Munro nasceu no Canadá e viveu por muitos anos no seu interior.  Hoje vive em Clinton, Ontario. Isso está presente nos seus textos. Como em Axis (Eixo) que saiu na antologia Best American Short Stories 2012. Publicado originalmente na New Yorker, este conto trata de duas amigas de faculdade, voltando para sua cidade natal no interior do Canadá. Trazem nas bolsas livros "sérios" como O mundo medieval, As relações dos jesuítas, mas para as suas famílias, Gracie e Avie não passam de meninas da fazenda. Gracie está apaixonada. Avie não; quer fazer sexo com o namorado Hugo mas está interessada mesmo em Royce, namorado de Gracie. 

A família de Gracie não vai com a cara de Royce, e o final de semana que passam é dedicado às tentativas do casal em fazer sexo. O plano não dá certo, e são pegos em flagrante pela mãe da menina. Royce se manda, claro, e nunca mais vê Gracie. 

Lendo mais alguns de seus contos, percebi alguns elementos recorrentes: o interior branco e gelado do Canadá e os saltos temporais. Em Axis, cinquenta anos. Royce é um geólogo e reencontra a sessentona Avie, casada e com filhos. O eixo do título é uma formação geológica canadense (o "eixo de Frontenac). Mas os títulos de Munro não são gratuitos; talvez Gracie seja o eixo entre Royce e Avie; talvez seja Roney o eixo - ele era um sujeito meio perdido e depois se torna um geólogo, afinal. 

Uma outra curiosidade: no começo do ano Munro anunciou que estava pendurando a caneta. Segundo ela, atingirá uma idade em que não pode mais ficar tanto tempo isolada dos outros como precisaria para continuar a escrever. A Academia correu para homenageá-la. Philip Roth também anunciou sua despedida há cerca de um ano, mas não comoveu os suecos. 


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Alice Munro - o Nobel e o conto

A canadense Alice Munro acaba de ser anunciada como a ganhadora do Nobel de Literatura de 2013. Até onde sei, é a primeira vez que a Academia premia um contista.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

As vacas de Stalin, de Sofi Oksanen

Expurgo
Sofi Oksanen
Tradução: Pasi Loman e Lilia Loman
Editora Record, 2013
416 p.

Li com atraso Expurgo e não quis repetir a demora quando este As vacas de Stálin foi lançado no Brasil, também pela editora Record, mas agora traduzido diretamente do finlandês por Pasi e Lilia Loman. Enquanto isso, espero que alguma mostra de cinema ou distribuidora traga para os trópicos a versão cinematográfica do primeiro.

Expurgo foi originalmente escrito como peça de teatro e somente mais tarde transformado em romance. As vacas é o primeiro livro da autora. 


Aqui, Sofi Oksanen (1977) trata da história de três gerações - Sofia, estoniana que viveu o período da ocupação, na década de 30 e as deportações para os gulags; sua filha Katariina, que casou com um finlandês e imigrou para a Finlândia, escapando da vida soviética - não é fácil a vida de imigrante algum, ainda mais quando suas conterrâneas são associadas imediatamente a prostitutas no novo país - e Anna, já finlandesa, anoréxica e bulímica que, com seus eternos cinquenta quilos, se converte em um brinquedo sexual. Refere-se ao seu distúrbio como Meu Senhor. Ela e a mãe procuram ao máximo esconder sua origem.

Tal como no livro anterior, a história é elaborada a partir de recortes temporais e narrativos. Em Expurgo, a autora chegou quase à perfeição. Aqui, na estreia, nem tanto, o que mostra a rápida e consistente evolução da escritora.

Mas, afinal, qual o interesse que um leitor brasileiro pode ter numa história que se desenrola entre a Finlândia e a Estônia? Em princípio, nenhum. Mas o que realmente se discute, aqui, não é a ambientação histórica ou considerações geopolíticas. Não é um romance histórico, como uma leitura apressada poderia sugerir. Trata-se de algo sobre o qual continuamos na estaca zero - como lidar com o passado? como as diferentes gerações lidam com os eventos históricos, cujas consequências se prolongam por décadas?




domingo, 6 de outubro de 2013

Conto da semana, de Mário de Carvalho



O português Mário de Carvalho (1944)  é bem conhecido pelo leitor brasileiro. Li seu romance Um Deus passeando pela brisa da tarde, passado numa cidade romana na Lusitânia no século II d. C. Lúcio Valerius Quíncius é um magistrado romano às voltas com a rebelião promovida pela Congregação do Peixe. É Roma em seus últimos momentos pagãos. E, na minha opinião, um romance muito bom.

Mas o autor também escreve contos; da série publicada pelo Diário de Notícias, vem este A Porrada, que pode ser lido aqui (mediante cadastro, gratuito).

Nesta brevíssima narrativa, aborda o tema da violência. Não aquela oriunda da pobreza ou dos imprevistos do dia; não aquela com alguma justificativa nobre ou não. Uma família bem estruturada em Portugal, mas com uma peculiaridade: Gonçalo frequenta um fight club - sua mulher, Mafalda, já está farta de vê-lo arrebentado todas as noites. Por outro lado, ele é violento também em casa - como quando insiste que ela o trate por tu, e não você.

Violência - doméstica ou não. Mas para quem conhece a prosa de Mário de Carvalho, este conto pareceu-me uma esquete, um ensaio de um conto que talvez não tenha sido escrito.