quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Fui vê-la, pai - Conto de Pierre Mejlak

Não costumo colocar o mesmo autor duas semanas consecutivas, mas Pierre Mejlak gentilmente cedeu à Biblioteca este seu conto - aqui, traduzido por ninguém menos que valter hugo mãe. 


Inclinei-me, colocando as mãos por sobre os olhos, como toldando o sol, e murmurei-lhe, “Fui vê-la, pai. Fui vê-la.”

***

A última vez que o visitei, ele não parecia tão bem. A minha irmã mais nova tinha acabado de sair e, como de hábito, ela insitira muito sobre o ele estar a piorar. Achei que devia manter as coisas agradáveis, por isso perguntei-lhe sobre as mulheres que o marcaram. Foi como acabamos a falar sobre a mulher espanhola.

Ele costumava gostar de falar sobre as mulheres que conheceu. Parecia que assim esquecia a dor, os seus olhos brilhavam e subitamente focavam. Porque desde que adoeceu e foi levado para o hospital, as mulheres que amou durante toda a vida tornaram-se para ele um álbum de fotografias que nunca se cansou de percorrer. E sob cada fotografia estavam mais cinquenta escondidas. Nenhum pormenor escapava à sua memória. Por vezes eu achava que ele estava a inventar mas quando, um ou dois meses mais tarde, ele repetia tudo exactamente com os mesmos detealhes, a mesma convicção, o mesmo olhar e sorriso, as minhas dúvidas dissipavam-se. “Graças a Deus que as tenho”, dizia-me quando estavamos sós. “Diz-me de que outro modo havia eu de atravessar estas noites intermináveis?”, e depois ele normalmente divagava, “às vezes ponho-me com isto, que pensam eles, esses outros velhos homens como eu – sós – se não tiverem conhecido a excitação de amarem uma mulher?” E quando ele estava forte o suficiente para discutir, eu respondia que talvez pensassem sobre os países que visitaram, os velhos amigos que tiveram, as aventuras por que passaram, as histórias que ouviram, o trabalho que fizeram, os cães que ensinaram, os dias que passaram a nadar ao sol, momentos belos que partilharam. Então, ele detinha-me com um gesto de mão típico de alguém da sua idade, “Não, não, meu filho. Não é igual. Ai, a quantidade de trabalhos que tive na vida” Que lembro eu de tudo isso? Nada. E a quantidade de países que visitei e os passeios que dei…”

“O quanto gostaria ela de te ver”, disse ele quando voltamos à mulher espanhola, “Ouve, promete-me visitá-la antes que eu morra?” E continuou sem me dar a oportunidade de responder, “Vai contar-lhe tudo e traz-me notícias suas.”

Ele estava intransigente com a hipótese de eu ir e, quando notou que eu estava seriamente a brincar com a ideia, ele pediu-me encarecidamente que fosse.

“Vai falar-lhe, meu filho, antes que eu morra.”

Ele recordava-me de como eu era quando miúdo. De como costumava enviar à minha mãe mensagens sobre o que não tivera coragem de lhe dizer directamente. E ele guiou-me à sua casa no mesmo tom urgente de “presta atenção” que usara antes, quando nos meus dias de rapaz me explicava o caminho para os meus avós ou para a mercearia para comprar leite.

“Presta atenção. Quando chegares ao aeroporto de Alicante, aluga um carro”, diz entre lábios torcidos, a mão a tremer escondida na manga e um sorriso entre o maroto e o ligeiramente misterioso. “Sais do aeroporto e segues os sinais, escritos em grandes letras no topo, que dizem Murcia.”

Depois ele olha para mim e repara que não tomo notas. “Toma nota, raios partam!”

E eu tiro uma caneta do bolso do meu blazer e começo a escrever no primeiro pedaço de papel que vejo – o recibo dos biscoitos e da água que comprei para ele quando cheguei ao hospital.

“Conduz nessa direcção até a autoestrada se dividir em dois, e no lado de lá, verás novos sinais dizendo em grande Grenada Almeria. Dá pisca, toma cuidado com os carros que vêm atrás de ti, e atravessa para o outro lado. Toma cuidado.”

Eu sorrio mas ele não o vê porque, entretanto, fechou os olhos e se perdeu a conduzir em direcção à sua mulher espanhola.

“Agora continuas em frente até veres o sinal a dizer Mazarron.”

Reparei na sua mão. Parece a seta no meu GPS.

“Segue para onde te manda. Nesta altura deves começar a ver os edifícios, apartamentos para alugar e para vender, e o mar está perto, mas ainda não o podes ver. Estás a entender?”

“Entendo.”

“Constantemente verás novas placas, e em cada uma poderás então ver Puerto de Mazarron. Segue em direcção ao porto e verás as primeiras setas que apontam para Aguilas.”

Ele abre os olhos e posso vê-los a brilhar e muito mais claros que nunca.

“E estás a tomar nota?”

“Sim, estou a escrever. Continue.”

“Se chegares a um ponto onde deixas de ver quilómetros de estufas cheias de tomates, então algures deves ter errado o caminho. Enquanto vires as estufas, não há problema. Segues sempre em frente até veres um cruzamento e, à direita, verás uma placa que diz Puntas de Calnegre. Desces por essa estrada estreita, desengatas o carro e deixa-o andar. Abre as janelas para sentires a briza do mar fresca no rosto… Quanta beleza.”

“Pai, corte a poesia. Concentra-te nas placas.”

Ele esfrega os olhos, sorri e volta a dar-me as direcções.

“Abranda. Tem cuidado com as crianças a atravessar a estrada. E dali deves ver – no fim da estrada – uma vila apartada das outras. Vai até lá. Estaciona. Sai do carro. Vai para o passeio, onde provavelmente encontrarás um gato a limpar o esqueleto de algum peixe, e toca à campainha.”

O meu pai estava a mandar-me ver a mulher que ele secretamente visitara durante dez anos. E eu não o faço para lhe agradar. Faço-o porque quero conhecer essa mulher que tanto o fez feliz. Vou porque quero agradecer-lhe sem palavras. Quero conhecer a mulher que sempre o encheu de alegria e o manteve resistindo por meses. Na altura, quando qualquer indício desse entusiasmo desaparecia, ele ia a Espanha pretensamente em negócios. E nós esperávamos que ele voltasse trazendo um tambor, um par de címbalos, um par de pratos, um saco de missangas de mil cores e um alegre sorriso de alguém profundamente satisfeito.

E com o recibo da cantina do hospital preso no volante do Ford Ka que aluguei, estou a conduzir e a sorrir. Efabulando com a memória do meu pai. Porque ainda que tivesse deixado a condução nas mãos de um macaco o carro teria à mesma chegado à vila sem se perder. E agora estou a descer a estrada para a vila, e desço a janela e rio-me como um idiota, porque a brisa é tão fresca no meu rosto… e ouço a excitação das crianças descalças correndo depois da bola na praia, e as suas mães resmungando com os merceeiros e os atabalhoados barulhos dos pais vindos do bar na outra ponta da estrada. E estou a pensar que, se não o tivesse apressado quando ele chegou a esta parte da viagem, ele teria acrescentado estes pormenores também.

Depois toquei a campainha e subitamente fui acometido de cem dúvidas. Talvez a mulher tivesse morrido, ou mudado para outro lugar, talvez se deite com outro homem e esqueceu completamente o meu pai, ou quer esquecer, talvez a casa estivesse agora desabitada, ou até tivesse sido comprada por alguém que desconhecia o meu pai e a sua história com a mulher espanhola, ou talvez fosse ela a abrir a porta mas eu não seria bem-vindo, quem sabe o filho dela me atendesse, o que lhe diria?

A porta abre e diante de mim eia a mulher espanhola do meu pai. Não tive dúvidas de que era ela. Ele havia pintado os olhos dela para mim. E tinha-o feito bem. Verdes. Com uma pitada de amarelo. Lindos. E o seu rosto! Uma mulher envelhecendo graciosamente.

“Quando ela abrir diz-lhe que és meu filho, e que ouviste muito falar sobre ela. Diz-lhe que estou a morrer mas que a tenho sempre no meu coração, fazendo-me companhia.”

“E ela vai convidar-te para entrar e perguntar-me mil coisas diferentes. Porque ela é assim – porque a cada palavra que disseres ela terá uma pergunta. E depois ela vai servir-te um pouco de 45.”

“Conheço-te”, disse ela à porta. “Tens os olhos do teu pai. E não mudaste muito em relação às fotografias que me mostrou. Mas não fiques na soleira da porta. Entra. Vem para dentro.” E depois virou-se para um gato que me observava entre as suas pernas, “Desaparece! Temos visitas.”

E depois de termos comido numa cozinha cheia de malgas e panelas penduradas a toda a volta, eu mencionei o 45, e repentinamente os seus olhos encheram-se de lágrimas. Pediu-me que a seguisse. Descemos uma escada em caracol, e no interior fresco da cave ela mostrou-me, armazenadas, uma ao lado da outra – garrafa atrás de garrafa –, todas envergando o número 45 escrito à mão.

Ela assim as guardava, garrafa atrás de garrafa, desde o dia em que ele saíra e nunca mais voltara.

“Eu tinha a certeza de que ele voltaria, um dia. Não tinha sido a primeira vez em que me dissera partir para sempre. Disse-mo muitas vezes que deixaria de vir. Mas nunca acreditei nele porque – bem, sim – por vezes passavam-se meses mas ele sempre voltava. E desde que por último o vi, continuei a ir ao jardim, colhendo os damascos, usando as mesmas luvas que usava ele quando os colhia.”

Tornara-se um ritual que ela seguia até àquele dia. Ela voltaria carregada com uma caixa cheia de damascos e despejava-os no enorme banco da cozinha. E com a mesma faca que ele usara, ela cortava-os a meio, um a um, e atirava-os para uma panela a ferver água. Deixava-os a boiar na água por um minuto, não fosse o caso de terem algum verme escondido dentro, que ela retiraria com cuidado com nunca estivera ali.

“Assim que desapareceu”, diz-me com um meio sorriso que deixa de lado qualquer indício de mágoa, “Nem uma carta. Um telefone. Nada. Era assim o teu pai. Ou uma fachada incrivelmente acesa e brilhante que te encandeia os olhos, ou nada.”

Numa larga concha, ela retirava os damascos molhados e quentes e punha-os em cinco litros de conhaque e assim os deixava durante um mês e meio. Quarenta e cinco dias. Nenhum mais, nenhum menos.

“Como ele costumava fazer.”

Quarenta e cinco dias que ela esperava que, quando fosse tempo de passar o conhaque pelo coador para o separar dos damascos, ele estivesse ali, ao seu lado, na sua cozinha, surpreso por ela ter continuado a fazer a sua bebida. Depois ela filtraria o conhaque para dentro de uma garrafa de vidro. Por fora ela colocaria um autocolante amarelo e, com uma caneta preta, escreveria 45 – como ele costumava – por cada dia que tornou a bebida no que era. “Porque a bebida é como nós,” dizia ele, provavelmente no mesmo tom com que me deu as direcções de como chegar à escola. Depois – como ele fazia – no canto inferior do autocolante amarelo, ela anotava a data.

“Gostas?”

“Muito.”

“Ninguém sai daqui sem o provar. E sempre fazemos um brinde, acho que a ele. Sabes… passei meses inteiros assim.”, diz-mo agora com um copo de 45 na mão direita e com os olhos fixos nos damasqueiros lá fora. “Olho o jardim e penso nele, no que estará a fazer agora, se esqueceu tudo sobre mim e que memórias tem de mim. Se talvez o desapontei da última vez que veio. Se eu disse algo que não devia, ou talvez eu tenha dito algo que não entendi. Se pensa voltar um dia. Se ele tem esperança de que, de algum modo, o encontre outra vez. E se, um dia, a campainha que tocaste vai soar e eu abrirei a porta para o ver ali.”

Ela pára. Observa-me. Percebendo que eu não tenho nada para dizer, continua. “Levou-me muito tempo aceitar o facto de nunca mais voltar a ver oteu pai. Muito, muito tempo. Eu continuei a colher os damascos, caixas atrás de caixa, na esperança de que quando enchesse mais uma garrafa ele estivesse aqui comigo.

Eu gostava de dizer algo, mas não encontro nada por que valha a pena quebrar o silêncio.

“De início, quando percebi que não ia voltar, tentei sentir-me zangada com ele. Pensei talvez que a fúria poderia preencher o vazio no meu coração. Mas eu não podia estar zangada com alguém como ele. Não havia nada para desculpar. O teu pai nunca mentiu. As coisas foram claras desde que nos conhecemos no porto. Eu aceitei o acordo para o ver segundo a sua conveniência. Pensei que talvez o poderia ver e gozar da sua companhia sem lhe dar o coração. Mas ao tempo em que percebi que ele era o meu coração e que o meu coração era ele foi tarde de mais.” Agora o gato veio e saltou ao seu colo.

“O teu pai ensinou-me muito. E fez-me sorrir muito. E amou-me. Tenho a certeza disso.”

O meu copo está vazio. Ela enche-o de novo. Depois olha-me.

“Vais ficar muito tempo?”


***

O meu pai morreu na madrugada do terceiro dia em que passei com ela. A minha irmã ligou-me cedo e deu-me a notícia. Ninguém esperava que ele partisse tão depressa.

E no meu caminho para Alicante chorei. E ela chorou comigo.

“Eu fui vê-la, pai. Eu fui vê-la.”, murmurei, os meus olhos escondidos atrás das mãos pressionando o frio e brilhante mogno do caixão.

“Ela ainda me ama?”, perguntou-me ele.

“Ela é louca por ti, pai. Ela ainda é louca por ti. E adivinha quantas garrafas de 45 ela tem? Uma cave cheia, pai! Uma cave cheia!”

E ele sorri o seu característico sorriso.

“E eu trouxe-te algo, pai. Trouxe-te algo.”

“Uma garrafa de 45?”

“Não, não é uma garrafa de 45. É outra coisa. Espera um minuto. Em breve verás o que te trouxe… ela está por aqui entre a multidão.”

domingo, 26 de agosto de 2012

A Queda, de Diogo Mainardi



A Queda
Diogo Mainardi
Editora Record
2012
150 páginas


119

Agora estamos na praia da Enseada, em Bertioga.

Em 7 de fevereiro de 1972, entrando no mar, na praia da Enseada, Josef Mengele teve um derrame cerebral e morreu.

Vim até aqui, com meus filhos Tito e Nico, seguindo o rastro de Josef Mengele. Quero entrar no mar em que ele morreu. Quero tripudiar sobre seu cadáver. Quero comemorar o valor da vida de um filho inválido.

Sou o Simon Wiesenthal da paralisia cerebral.

Josef Mengele está morto. Tito está vivo.

Quem acompanhava suas colunas na Veja nota o mesmo estilo - frases curtas, com muitas repetições - e uma guinada radical de assunto - não há mais que uma menção à política brasileira. Uma mistura de ensaio e memória; uma declaração de amor ao filho com paralisia cerebral após uma barbeiragem da médica que fez o parto, mais preocupada com o fim do turno de trabalho.

Duas coisas chamam a atenção: em primeiro lugar, o tom cáustico, consigo próprio e mesmo com o filho, o que não deixa de ser uma surpresa e algo muito pouco usual em relatos com essa temática. Afinal, ele mesmo reconhece que o hospital de Veneza era conhecido pelos erros médicos, e mesmo assim, não desistiu - afinal, como ele mesmo diz, com esta fachada, aceito até um filho deforme. Não há autocomiseração, nem lugar para pieguice.

Em segundo lugar, a naturalidade com que as citações são feitas. Pietro Lombardo, Ezra Pound, Dante Alighieri e Shakespeare aparecem quase que com naturalidade ao longo dos 424 curtíssimos capítulos e das 150 páginas lidas em um só fôlego. O resultado está longe de algo que possa ser entendido como pedante, com o autor buscando referências que pudessem ilustrar gratuitamente o livro. Tudo parece estar realmente interligado, tudo surge quase como óbvio, como por exemplo, no capítulo 117, que fala dos meninos costurados por Mengele: Nino e Tito, ou no convite que Le Corbusier recebeu para desenhar um novo hospital em Veneza, justamente no dia do nascimento do autor. 

Como ele mesmo diz: Além de dizer que Tito era Deus, eu dizia também, naquela coluna, que "um menino com paralisia cerebral era como a maçã de Newton: caindo, ele revelava os mecanismos secretos de funcionamento do mundo".





sábado, 25 de agosto de 2012

Conto da semana, de Pierre Mejlak


Uma história muito curta, que pode ser lida em inglês aqui,  esta do escritor Pierre Mejlak (1982). Não à toa, integra a edição de dezembro de 2011 do site WWB, dedicado ao fantástico. Aqui, uma menina constroi o mundo - literalmente. A menina sonhadora cria não apenas um universo como toda criança - e me lembro de também ter criado países, cidades; e me lembro que tenho feito isso ultimamente com JF. Cada um inventa uma ilha com mais montanhas altíssimas, florestas fechadas etc.

A menina do conto - At Livia's Bar - constroi diversas cidades, cidades perfeitas, com uma escola circundada por um jardim de macieiras, uma universidade, um hospital, campo de futebol, igreja, lojas, aeroporto... Mas dessa vez, nos conta Mejlak, ela começa sua cidade com um grande círculo. Começou com um pequeno bar, onde muitos se reúnem à noite; os estudantes sempre pedem um drink especial a Livia, uma morena de Porto Alegre - isso mesmo; do Brasil.

Um conto de menos de duas páginas e que termina de forma surpreendente. Numa primeira leitura, talvez até um pouco confusa: Lívia sempre encontra um sujeito careca - que ela adora - que depois de tudo retorna para sua casa e encontra sua filha dormindo - segurando justamente um mapa com meia cidade construída... a criança, ao desenhar, cria o seu próprio  universo...  

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

A Separação, de Asghar Fahardi




Não deu para ver no cinema, mas peguei na locadora. Levou o Oscar de filme estrangeiro deste ano e o Urso de Berlim de 2011. O casal Nader e Simin até se dá bem, mas ela quer a separação, para sair do país (ela responde ao oficial, claramente, que "do jeito que as coisas estão" prefere que a filha seja criada fora). Já Nader insiste em ficar no Irã - seu pai, que sofre de Alzheimer. Ela não consegue a separação, e vai para a casa dos pais. A filha, Termeh, fica com o pai, que continua a sua batalha: encontrar alguém para cuidar do pai.

Essa pessoa finalmente aparece: Razieh. Humilde e religiosa. E grávida. Ela inclusive liga para uma central de assuntos religiosos para perguntar se pode trocar as calças de um homem que acabou de se urinar... O marido dela, no entanto, não sabe que ela está trabalhando.

A partir daí, a situação se agrava. Nader expulsa Razieh de casa, pensando que ela lhe furtou dinheiro; ela perde o bebê; o marido não sabia que ela estava trabalhando... A discussão termina, é claro, na justiça.

Curiosamente, o filme foi autorizado pelo governo iraniano que, no entanto, ficou bastante desconfortável com seu sucesso no exterior, interpretando como uma oportunidade ocidental de atacar o regime. Mas o filme não se resume a isso (e o faz de maneira clara mas sutil); mostra uma sociedade complexa - bem mais, talvez, do que o regime gostaria de apresentar. Como disse o diretor, sob uma espessa camada de poeira política há no Irã uma cultura sofisticada, antiga e rica - e bastante orgulhosa - que tenta sobreviver.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Felicidade é Fácil, de Edney Silvestre


Edney Silvestre
A Felicidade é Fácil
Editora Record, 2012
224 páginas



Amar deve ter sido inventado para vender alguma coisa. Não havia linguagem codificada mas Amar já era essencial para a sobrevivência comercial do Neandertal mais próximo. Quando as pinturas rupestres de Altamira ou do Vale da Capivara forem decifradas, os arqueólogos confirmarão que anunciavam Você Vai Amar Nossos Tacapes Com Nova Fórmula, ou Amar é Servir Carne de Bisão Sem Aditivos. Trinta mil anos depois pintamos em outdoors e telas de televisão. Você vai amar a nova margarina Elion.

Este é o segundo romance do jornalista Edney Silvestre - o primeiro, Se eu fechar os olhos agora, foi um dos últimos que li antes de iniciar este blog. Neste novo livro, Edney Silvestre explora um momento histórico que, definitivamente, merece maior atenção de nossa ficção: o início do governo Collor. A Editora Record disponibilizou um capítulo para degustação, que pode ser lido aqui. E, aqui, o booktrailer:




Como no primeiro livro, o ritmo é intenso. Tudo se passa num único dia, 20 de agosto de 1990. Um grupo pretende sequestrar o filho de um famoso publicitário, Olavo Bettencourt. Seus membros são conhecidos pelas nacionalidades: chileno, boliviano, uruguaio... o que me lembrou o sequestro não de um publicitário, mas de um dono de supermercado às vésperas das eleições de 1989... em todo caso, o tal publicitário está envolvido em escândalos de corrupção. Os sequestradores acabam pegando a criança errada: Olavinho, gordo e parecido com o pai, estava dormindo, e sobra, evidentemente, para o filho mudo, louro e de olhos azuis dos caseiros que estava no carro do patrão. 

A mulher de Olavo, Mara, ex-"modelo-manequim", quer salvar a criança - que se parece com ela - e para isso enfrenta o marido. Olavo não está nem aí, diz que o menino já era. Nem filho deles é. Para a imprensa, quer se mostrar preocupado com o caso; não informa que seu filho está a salvo.

Interessante os destinos reservados ao filho do caseiro e à reputação do motorista de Olavo, conhecido como Major, ex-agente do SNI. Firma-se Edney Silvestre como um autor a ser acompanhado com atenção, ainda que uma parte da crítica brasileira não tolere a existência de jornalista-ficcionista-brasileiro.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Conto da semana, de Rubem Fonseca

As coisas que um corcunda é capaz de fazer para que uma mulher se apaixone por ele.



O conto da semana é brasileiro, e pode ser lido aqui. O primeiro romance de Rubem Fonseca que li foi Agosto, antes de virar minissérie. Este O Corcunda e a Vênus de Botticelli mostra o que um sujeito como o corcunda faz para realizar suas conquistas com as mulheres.


O bilhe­te: Suspeito que leu pouca poe­sia. Você lê os ­livros na praça e vai pulan­do pági­nas, devem ser con­tos, nin­guém lê poe­sia assim. Preguiçosos gos­tam de ler con­tos, aca­bam um conto na pági­na vinte e pulam para aque­le que está na pági­na qua­ren­ta, no fim leem ape­nas uma parte do livro. Você pre­ci­sa ler os poe­tas, nem que seja à manei­ra daque­le escri­tor malu­co para quem os ­livros de poe­sia mere­cem ser lidos ape­nas uma vez e ­depois des­truí­dos para que os poe­tas mor­tos deem lugar aos vivos e não os dei­xem petri­fi­ca­dos. Posso fazer você enten­der de poe­sia, mas terá que ler os ­livros que eu indi­car. Você pre­ci­sa de mim, mais do que pre­ci­sa da sua mãe ou do seu cachor­ro lulu. Este é o núme­ro do meu tele­fo­ne. P.S. Você tem razão, é ­melhor se cha­mar Agnes do que Vênus. Assinei: Professor.

E como é competente o corcunda...

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Série O Bairro, de Gonçalo Tavares



A série O Bairro já vem sendo publicada no Brasil, se não me engano, pela Casa da Palavra. Mas na feira do livro em Lisboa não resisti à caixa com cinco volumes da Editorial Caminho - e no retorno, me dediquei aos senhores Calvino, Brecht, Eliot, Swendenborg e Walser. A edição é ilustrada por Rachel Caiano.


O bairro criado por Gonçalo Tavares está em constante expansão; parece viver um boom imobiliário, tal a profusão de novos apartamentos e moradores que para lá se mudaram ou marcaram a mudança... 

Interessante que o mapa do bairro mostra uma casa isolada de tudo e de todos, justamente a do senhor Walser que, coitado, tinha grandes expectativas em sua nova morada, longe da aglomeração. Robert Walser procurou ocultar-se por toda a vida numa floresta - passou quase que seus últimos trinta anos num manicômio. Mas o senhor Walser não terá muito sucesso, já que a cada momento entra em sua casa, tão esmeradamente planejada, alguém para consertar algo.

Quando fechava a porta atrás de si, Walser sentia virar costas à inumana bestialidade (de que saíra, é certo, há bilhões de anos atrás, um ser dotado de uma inteligência invulgar - esse construtor solitário que era o Homem) e entrar em cheio nos efeitos que essa ruptura entre a humanidade e a restante natureza provocara; uma casa no meio da floresta, eis a conquista da racionalidade absoluta.

Como o próprio Gonçalo Tavares disse em uma entrevista, seria mais sensato que o senhor Walser não tivesse aberto a porta da primeira vez. O senhor Walser se mostra irritantemente otimista.

Já o senhor Calvino, por seu lado, passeia pelo bairro, pensando e sonhando:

Mas se devemos admirar a boa memória do pardal, que voa exatamente como o seu antepassado Archaeopteryx, por outro lado também podemos criticar a falta de evolução, efeito evidente da ausência de novas ideias. Chamar conservador a algo que voa da mesma forma que o Archaeopteryx não parece, pois, insulto excessivo. Pardal conservador!, exclamou, para si próprio, Calvino. Nenhum gesto novo, nenhum motor imprevisto surgido nos últimos milênios, nada: em termos de locomoção a coisa é de uma monotonia assustadora. Em milhões de anos o seu desprezo pela força da gravidade - que é de se elogiar - é expresso da mesma maneira - o que se critica.

Os cinco livros desta caixa são pequenos; os textos, curtos e extremamente ágeis, e as ilustrações de Rachel Caiano extremamente felizes - não dá para ler o senhor Swedenborg sem elas. Este estranho senhor é obcecado pela geometria, e acompanha as atividades de seus vizinhos:

O senhor Swedenborg acabara de sair da sala onde o senhor Brecht costumava contar as suas histórias (tempo que o senhor Swedenborg aproveitava para as suas investigações sobre astronomia), e dirigia-se agora, a passo rápido para não chegar atrasado, a mais uma conferência do senhor Eliot. Conferências essas que o senhor Swedenborg aproveitava para se concentrar mentalmente nas suas investigações geométricas. Hum... na verdade, ele dava muito pouca bola aos seus vizinhos. Aliás, é no volume do senhor Eliot que se lê essa pérola:

Numa das paredes exteriores do auditório a frase grafitada:

'O doutor Rojas (cuja história da literatura argentina é mais extensa do que a literatura argentina)'.

Todos olharam para o senhor Borges, o grafitador do bairro. O senhor Borges sorriu. Abanou a cabeça e murmurou um pouco convincente: não fui eu.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Conto da Semana, de Noelle Revaz

A suíça Noelle Revaz (1968) é a autora do conto da semana. e está na BEF 2012 (e a Biblioteca já entrou na contagem regressiva para o lançamento, em outubro, da edição de 2013 da antologia organizada por Aleksandar Hemon).


Em As Crianças, que pode ser lido, em inglês, aqui, somos levados a um orfanato. A história é narrada por uma das crianças, que vivem na casa azul. Inicialmente, parece que o casal Morceau está avisando suas crianças de um pequeno e trivial atraso. Há uma greve de trabalhadores e ninguém irá vê-las. Pode ir ao jardim, mas não atravessem o portão; não comam nos quartos, se não tivermos chegado até a hora da ceia, comam o cereal. Estou abandonando vocês, e isso me faz sentir culpada. Liguem-me a cada meia hora. E partem.

Aos poucos, a real situação das crianças vai se agravando. O casal não retorna. No dia seguinte, um telefonema. É a Madame Morceau: desculpem, estamos retidos longe do orfanato. Desculpem-me... os maiores ajudam os menores; as meninas ajudam os meninos... pensamos em vocês a cada minuto...

Pondera a criança que nos narra a história: para que serve um adulto? O carteiro entrega uma carta do casal: espero que estejam bem... mandarei dinheiro... pensamos em vocês a cada minuto... cresçam, e nunca se esqueçam de que criamos vocês...

No domingo recebem um fax. Sem dúvida, estão abandonadas à própria sorte. Cresçam e não nos criem problemas. Escolham profissões adequadas... planejamos ter crianças de outro calibre... vocês não têm jeito... fizemos o possível...

Conclui a criança: neste momento entendemos que tínhamos de partir. Todos juntos. All of us together, one body, which must separate.

Uma história terrível, longe do politicamente correto. Como no história de Samanta Schweblin (no caso, com uma grávida) nem sempre o que acontece é exatamente aquilo que se esperava - ou melhor, do que os outros esperam...




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Terrorista, de Wislawa Szymborska

Novamente, do Poesia Ilimitada:


O TERRORISTA… OLHA

A bomba vai explodir no bar às treze e vinte.
São neste momento treze e dezasseis.
Alguns conseguem ainda entrar,
alguns sair.

O terrorista passou já para o outro lado da rua.
A esta distância ficará livre de perigo
e, quanto a vista, é como no cinema:

Uma mulher de casaco amarelo... entra.
Um homem de óculos escuros... sai.
Rapazes de jeans... conversam.
Treze horas, dezassete minutos e quatro segundos.
Aquele baixinho tem sorte e senta-se na vespa,
mais um tipo alto que entra.

Treze horas, dezassete minutos e quarenta segundos.
Passa uma moça de fita verde nos cabelos.
Só que o autocarro oculta-a.

Treze e dezoito.
A rapariga desapareceu.
Se foi bastante estúpida para entrar ou não,
isso se saberá pelas notícias.

Treze e dezanove.
Parece que ninguém entra.
Há porém um careca gordo que sai.
Mas olha, parece que procura algo nos bolsos,
faltam treze segundos para as treze e vinte,
e ele volta a entrar em busca das luvas que perdeu.

São treze e vinte.
Como o tempo voa.
Deve ser agora.
Ainda não.
Sim, é agora.
A bomba.... explode

Sobre Puchkin

Para quem não sabe nada de Púchkin, é difícil dizer alguma coisa sobre ele. Púchkin é um grande poeta. Napoleão é menor do que Púchkin. Bismarck, aos pés de Púchkin, também não é nada. Os Alexandres I e II, e também o III, são simplesmente umas bolhas em comparação com Púchkin. Aliás, todas as pessoas, em comparação com Púchkin, são umas bolhas, só que, em comparação com Gógol, o próprio Púchkin é uma bolha.

Por isso, em vez de escrever sobre Púchkin vou antes escrever sobre Gogol.

Aliás, Gogol é tão grande que é impossível escrever alguma coisa sobre ele, por isso vou escrever afinal sobre Púchkin.

Porém, depois de Gogol, é um pouco aborrecido escrever sobre Púchkin. Ora, sobre Gogol é impossível escrever. Por isso acho que não vou escrever sobre ninguém.

Daniil Harms, em A Velha e Outras Histórias, tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, Assírio & Alvim, Lisboa.

domingo, 5 de agosto de 2012

D. Nuno, o Santo Cavaleiro, de Vanda Furtado Marques


No Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, Jorge Felipe, que adora histórias de cavaleiros, se empolgou com um livro que contava a vida de D. Nuno, que havia conhecido dias antes em Batalha. D. Nuno foi o comandante que levou os portugueses à vitória na batalha de Aljubarrota. Eu tinha prometido que, se ele lesse e gostasse do livro, poderia dizer o que achava aqui no blog.

Nuno era um menino que sonhava ser cavaleiro, e o seu pai chamava milhares de vezes para voltar para casa. Nuno foi crescendo com espírito de cavaleiro como protetor dos mais fracos. As meninas adoravam ele! Quando fez 16 anos foi prometido a uma jovem chamada Leonor Alvim mas ele queria era ser cavaleiro. Falou para o pai que não queria se casar.  

O novo rei chamou Nuno para a guerra contra os castelhanos. Ele virou o grande amigo do rei D. João I. Diziam que ele ganhava as guerras porque amava o seu país. Quando a guerra acabou deu tudo o que tinha aos seus criados, parentes e amigos e entrou no Convento do Carmo, lá em Lisboa. Passou a curar os doentes e a rezar. Virou o Frade Nuno de Santa Maria.

Gostei da história e das ilustrações. Se você ler, vai gostar também.

É isso aí...


sábado, 4 de agosto de 2012

O Livro

No site do Rascunho, um poema de Jorge Tufic (Sena Madureira, AC, 1930), que começa assim:


1
Não se mude o teu formato
ó livro de quatro quinas
pois é neste mundo exato
que estão as coisas divinas

Gore Vidal (1925-2012)


Li dois livros de Gore Vidal; ambos com sua peculiar - e muito divertida - visão da história norte-americana. Em Burr, sobre Aaron Burr, o terceiro vice-presidente do país. Ele matou, num duelo, Alexander Hamilton. Interessante quando ele descreve a construção de Washington: quase dá para substitui-la por Brasília: um lugar que afugentava as pessoas, que consumiu milhões e nunca ficava pronta.  E Washington (o George) tinha corpo de mulher...


Já em A Era Dourada, sua polêmica visão da entrada dos EUA na Segunda Guerra. Sua imagem de Roosevelt não é das mais simpáticas,tendo provocado os japoneses para que conseguisse apoio fácil para entrar no conflito. Paulo Francis foi um dos seus maiores admiradores por estas bandas. 

Lisboa

Terminando a série sobre Portugal... ficamos no hotel Lisboa Plaza, na Travessa do Salitre, próximo à bela e sofisticada Avenida da Liberdade. Caminhando poucos minutos, chega-se à Praça dos Restauradores e ao Rossio. Daí, pega-se a rua do Carmo, bem à direita, e duzentos metros depois, chegamos à famosa Rua Garrett.

Duas livrarias: a famosa Bertrand do Chiado, na Garrett, e a bem menor mas igualmente interessante Ferin, na Rua do Carmo, logo abaixo dos Armazéns do Chiado.

É claro que não se poderia deixar de visitar o café A Brasileira, com sua estátua do Fernando Pessoa e seus pastéis de nata (só em Belém se pode usar a denominação "pastel de Belém"). Dela saem algumas ruas que vão em direção ao Tejo:



Na mesma Garrett, um pequeno refúgio, com alguns bons restaurantes.




Os táxis são muito baratos. De Belém para o hotel não gastamos oito euros, o que, sob o sol do verão a 40 graus, é um alento. Demos um outro pulo para lá, para comer um pastel de Belém e conhecer o Museu Nacional do Coche.





O Museu fica em um prédio que compõe o conjunto do Palácio presidencial. Ao lado, está sendo construída sua futura e moderna sede. Mas, convenhamos, o conteúdo parece se adequar mais a esse belo prédio antigo.


A crise econômica é o assunto predominante. Mas fica a impressão de que o auge da crise ocorreu há mais de um ano (e só agora chega aos vizinhos espanhóis). Passamos por menos  mendigos no país em crise do que por aqui, no país da moda. E é impressionante ver que, a despeito de tudo, ainda se investe na preservação do patrimônio histórico. 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Conto da semana, de Gonçalo Tavares

Na feira do livro na estação do metrô do Oriente, uma caixa com livros da série O Bairro, de Gonçalo Tavares. Um preço inacreditável.  Eis uma história que é contada pelo senhor Brecht, sobre O desempregado com filhos:

Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão.

Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.

Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.

Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a mão que te resta.

Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.

Mais tarde foi despedido e de novo procurou emprego.

Disseram-lhe: só te oferecemos emprego se te cortarmos a cabeça.

Ele estava desempregado há muito tempo; tinha filhos, aceitou.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Lisboa - Parque das Nações

A Lisboa contemporânea está no Parque das Nações, região da cidade que sediou a Expo 98. O moderno complexo, próximo à estação de metrô Oriente, tem um shopping centre (Vasco da Gama), a torre Vasco da Gama - o edifício mais alto da cidade - e o Oceanário como pontos principais. 


No Parque das Nações, vemos a mão de Santiago Calatrava. É dele o projeto da estação do Oriente. É torcer para que o projeto de revitalização do Porto do Rio saia realmente do papel,   para as Olimpíadas de 2016, com sua participação no tal Museu do Amanhã. 



Um teleférico nos conduz por cerca de 1000 m, saindo do Oceanário e chegando à torre. Vê-se o rio Tejo e a ponte Vasco da Gama, além de todo o conjunto urbano. Abaixo, aproximamo-nos da torre.




No Oceanário, somos recebidos pelo simpático Vasco:




O Oceanário de Lisboa já é uma referência em termos mundiais. Tubarões, pinguins, peixes tropicais.


Muitos restaurantes no complexo, mas preferimos almoçar no próprio Oceanário. Nada de excepcional. Depois, descansamos no passeio arborizado que se estende por todo o parque.


E na volta, deparamo-nos com uma feira do livro em plena estação do metrô. Imensa e bem movimentada. O preço do livro em Portugal é inacreditavelmente barato. Aliás, chama a atenção o fato de lugares como Tomar e Ferreira do Zêzere terem bibliotecas que podem ser consideradas enormes em relação às respectivas cidades. E, com a crise - assunto onipresente - os portugueses passaram a se jogar ainda mais na leitura.