sexta-feira, 29 de junho de 2012

Conto da semana, de Bernard Quiriny

Bernard Quiriny (1978) é um escritor belga cujos contos reunidos no volume Contos Carnívoros chamaram a atenção dos europeus. Ele também é professor de direito e filosofia. A versão abaixo é da edição portuguesa (Ahab, 2011). Voltaremos a ele em breve. 

A impaciência de Pierre Gould não tem limites. No dia em que, sendo jovem, decidiu que seria escritor, começou por redigir uma nota testamentária para legar os seus futuros manuscritos à Biblioteca Nacional. No dia seguinte, andava pela cidade à procura de tradutores. No terceiro dia, registava duzentos títulos no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual. No quarto, telefonava aos jornalistas para garantir boas críticas. E dez anos mais tarde, evidentemente, continuava sem ter escrito uma palavra.

E outro, com o mesmo e incrível personagem Pierre Gould:

Pierre Gould escreveu um romance intitulado Histórias de um Adormecido, que era, no seu dizer, o lipograma mais restritivo do mundo: proibira-se o uso de todas as letras do alfabeto, com a excepção do z. O que dava: "Zzzz, zzzz, zzzz", e assim sucessivamente, ao longo de trezentas páginas.

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Diabo Mesquinho




O Diabo Mesquinho
Fiodor Sologub
Editora Kalinka, 2008
384 páginas


Depois da missa de domingo os paroquianos dispersaram-se para voltar às suas casas. Alguns pararam diante do muro da igreja, atrás das paredes brancas de pedra, sob as velhas tílias e os bordos, e ficaram conversando. Todos estavam arrumados para o domingo e se entreolhavam afavelmente, e parecia que nesta cidade se vivia em paz e amizade. E até com alegria. Mas isso apenas parecia.


Peredónov, professor do ginásio, conversava numa roda de amigos - com os olhinhos inchados por atrás dos óculos de armação dourada, ele olhava sombriamente para os seus interlocutores e dizia:


- A própria princesa Voltchanskaia prometeu à Vária, isso já é certo. "Assim que se casarem", disse ela, "consigo de imediato um cargo de inspetor para ele".


Voltando aos russos, depois de Guerra e Paz...


Fiodor Sologub (1863-1927) foi apresentado ao leitor brasileiro em 2008, na estreia da editora Kalinka, parceira da Biblioteca. Se serve de consolo, ele não é praticamente desconhecido apenas no Brasil, mas também em países como a França.


Numa edição caprichada, traduzida por Moissei Mountian, e com ilustrações de Fabio Flaks, somos apresentados à vida miserável de um funcionário público, professor do ginásio de uma pequena cidade do interior russo.  

Ardalión Borissytch Peredonov procura, à todo custo, casar-se, como o caminho mais fácil para alcançar aquilo que tanto deseja: "uma posição" - no caso, o posto de inspetor. Ele é até bastante disputado pelas mulheres e procura descobrir qual delas será a mais eficiente para alcançar seu objetivo. Varvara, por exemplo: ao que parece, a princesa Voltchanskaia prometeu-lhe imediatamente um cargo de inspetor.

Como em Tchekov, a vida do interior é vista sem qualquer futuro ou perspectiva. Tio Vania sempre se lamentaria de ter se enterrado naquele lugarejo, abrindo mão de todos os sonhos e ambições. 

Como em Dostoievski, a sanidade mental de Peredonov é frágil. É ele quem enxerga inimigos imaginários - até um gato que teima em passar por ele ao longo do livro é visto como um provável espião. E ele se humilha de uma forma impressionante, como quando pergunta ao guarda se é poderia fumar um cigarro:

- A respeito disso não recebi ordem nenhuma - respondeu o guarda de modo evasivo.

- Não recebeu? - perguntou mais uma vez Peredónov com voz triste.

- De jeito nenhum, não recebi. Não nos foi ordenado que parássemos os senhores que fumam e, se saiu alguma autorização sobre isso que saber.

- Se não recebeu, então eu não vou fumar - disse Peredonov. - Eu sou uma pessoa bem-intencionada. Vou até jogar o cigarro fora. Pois eu sou um Conselheiro de Estado.

A peregrinação que faz à casa do procurador, Avinovitsk, ao líder da nobreza, ao comissário de policia, entre outras "autoridades locais" não lhe rende muita coisa. O procurador, por exemplo, tece vastas considerações sobre a hereditariedade, a nobreza e a ralé... é evidente que Peredonov concordará com tudo, sempre em busca de uma aprovação.


Enfim, um tipo bastante comum, como disse o próprio autor: os peredonovs, cujo retrato está no romance, constituem fato bastante corriqueiro.


Outro personagem que merece atenção é o ginasiano Sacha: 110 anos depois, diríamos que sofreu bullying por parte de Peredonov. O episódio em que se veste de gueixa já mostra um sujeito com, digamos, bastante malícia...

Afinal, casa-se, não sem antes "se marcar": teme ser traído e substituído por Volódin. O desfecho do romance, aliás, é trágico; descobertas as traições - Qualquer um pode escrever uma carta. O senhor deveria saber com quem está lidando. Sua esposa é uma pessoa que não tem lá muitos escrúpulos - o que se sucede parece inevitável.


Uma grande descoberta. Moissei e Daniela Mountian são responsáveis, também, pela tradução do conto de Sologub da Nova Antologia do Conto Russo, da Editora 34 - Luz e Sombras (1896)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Aniversário de Machado de Assis




Hoje, 21 de junho, é aniversário de Machado de Assis (1839-1908). Massacrado nas escolas (por que obrigar o sujeito a ler Helena aos 14 anos de idade? Por que não começar com seus contos para depois chegar aos romances?), embranquecido no comercial da Caixa Econômica, mas sem dúvida o maior de todos os nossos escritores. Parabéns.

14 Pequenas Histórias, de Peter Adolphsen


Na BEF 2011 (A. Hemon) surgem as 14 Pequenas Histórias, do dinamarquês Peter Adolphsen. As histórias foram extraídas, por sua vez, de duas coletâneas anteriores (Pequenas Histórias e Pequenas Histórias,2).

No Relatório sobre a língua Gitii, é quase imediata a lembrança de Tlön, Uqbar, Orbis Tertius. Se o argentino descobre um planeta numa enciclopedia secreta, aqui Adolphsen também "descobre" um idioma "desaparecido" entre os séculos 17 e 18 - uma língua com apenas uma vogal, e cujos falantes se comunicam apenas e exclusivamente com verbos. Um povo que via o mundo em verbos e, consequentemente, em ações. Evidentemente, a língua foi descrita por um missionário, Bartolomeo Jimenez Ribero... 

Em outra destas histórias, há cerca de 2 bilhões de anos, seres inteligentes que não possuíam corpos, consistindo em nuvens de gás controladas pelas mentes, que unidas formavam a memória coletiva. Chegaram na Terra no Cretáceo e são seduzidos pelo universo táctil - e passam a habitar organismos terrestres.

Ou a Terra saindo do seu eixo, acabando com conceitos como dia, noite, inverno, verão - e adotando a Lua como divisora do tempo. Ou (um dos mais interessantes) em Deus, Liber et Pagina, uma descrição de Deus, abrindo o Livro da Criação e arrancando-lhe uma página - do contrário, o Livro seria perfeito e Sua existência inviabilizada - afinal, um dos Seus atributos é o de ser a única entidade perfeita... O Universo é criado à medida em que a história do Livro se desenvolve aos olhos do Criador.

Peter Adolphsen apresenta estas histórias realmente muito curtas, às vezes menos de uma página, muitas delas mais parecidas com esboços de textos maiores. Além de Borges, em alguns momentos lembram as fábulas e parábolas de Kafka. Já esteve no Festival de Literatura de Buenos Aires em 2010. 

sábado, 16 de junho de 2012

Happy Bloomsday


Aqui, a programação do Bloomsday 2012 em Belo Horizonte.

O sentido de um fim, de Julian Barnes


Saiu a edição brasileira, pela Rocco, do livro de Julian Barnes que comentamos aqui.

Mickey Mouse, de Karl Taro Greenfeld



Karl Taro Greenfeld apareceu na TV brasileira pela primeira vez com cerca de treze anos, numa reportagem do ainda apresentador Helio Costa. Ele lia um poema que escreveu para Noah, seu irmão autista.

Anos depois, e com uma carreira jornalística e literária bem consolidada, o americano nos oferece o conto Mickey Mouse. Está na edição de 2012 da antologia O. Henry Prize Stories.

Ohta é um professor universitário de pintura e desenho no Japão, durante a Segunda Guerra. Sua carreira anda de mal a pior, já que a revista que publicou a maior parte dos seus trabalhos foi fechada – o problema de ser muito liberal e especializada em arte em tempos de guerra total... Seu antigo colega, Kunugi, determinou o seu fechamento.

Devido ao seu talento, recebe, do próprio Kunugi, a missão de criar um personagem capaz de superar em popularidade ninguém menos que o Mickey. Um Mickey Mouse japonês, capaz de vencer o inimigo da nação, o camundongo americano. Mas Ohta nunca entendeu a razão de ter sido escolhido para isso.

Ohta passará a guerra esboçando o personagem, mas suas ideias serão sempre rechaçadas pelos superiores. Ele nunca consegue emplacar um personagem. Em troca, recebe vouchers que são trocados por rações no esforço de guerra. A maré muda; o Japão está para ser destruído pela guerra. Dias depois do bombardeio de Honshu - a primeira vez na história em que nossa terra foi atacada por estrangeiros - recebe a visita de Kunugi. Ohta mostra dúvidas e insegurança - seria ele mesmo capaz de fazer o personagem. Cumpra o seu dever, em nome do Imperador, dize lhe dá um tapa.


Kunugi morre nos bombardeios de Tóquio, na primavera de 1945; Ohta sobrevive e reassume seu cargo na universidade.

Até que, anos depois, numa exposição de seus trabalhos, Ohta recebe a visita da viúva de Kunugi: ele achava importante que um verdadeiro artista, como você, sobrevivesse à guerra.

Não conhecia nada do autor. O conto (via Kindle) é rico em detalhes e descrições; o ambiente da guerra no Japão é criado com minúcias e envolve o leitor; o personagem Kunugi é o grande centro da história - ele e a sua motivação.   A combinação do enredo com a forma gerou um conto notável, que merece ser urgentemente traduzido.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Fonte das Mulheres, de Radu Mihaileanu



Na locadora - salvo engano, o filme não circulou nos cinemas do Brasil ou, ao menos, em Belo Horizonte - mais um filme do franco-romeno Radu Mihaileanu: A Fonte das Mulheres (2010). 

Ao contrário dos dois filmes anteriores, os excelentes Trem da Vida e O Concerto, aqui o humor é usado com moderação - o que não significa que não apareça, mas sempre de forma mais sutil. Uma greve de sexo, como em Lisístrata, de Aristófanes (como o próprio diretor afirmou em várias entrevistas) mas não para que os homens parem a guerra. O que elas querem é que os homens de uma pequena aldeia no norte da África se mexam e as ajudem a buscar água nas montanhas.

As mulheres fazem isso à séculos, dizem todos. No trajeto, sofrem acidentes, perdem filhos ainda em gestação. Os homens, se antigamente viviam em guerras, hoje ficam no bar, conversando, bebendo e fumando. Até que Leila (Leila Bekhti) resolve dar um basta à situação e propõe o movimento grevista.

Há momentos bem cômicos. No início, um grupo de turistas assiste a uma exibição das mulheres, que cantam, em árabe, que elas são exploradas pelos maridos que não buscam água. Os turistas, claro, acham que aquela música tem séculos de tradição... O dinheiro arrecadado com o turismo, aliás, é desviado sistematicamente.

Os homens temem que a eletricidade e a água encanada cheguem às casas. O que as mulheres farão? O celular fica pendurado em um varal no pátio da casa.

A revolta dos homens chega às raias do desespero. Alguns se põem a espancar as esposas. A comunidade entra em um completo caos. O professor, um jovem "ilustrado" e noivo de Leila, fica em uma situação delicada, entre o apoio à mulher e a desconfiança dos demais homens. 

Quando a situação é finalmente resolvida, com o canalização da água até as casas, não faltam políticos querendo tirar uma casquinha - afinal, todos sempre apoiaram o movimento das mulheres... 

Se não fosse um ótimo filme, já valeria para que víssemos o quanto temos em comum com países como os do norte da África. Não perca.


sábado, 9 de junho de 2012

Conto da semana, de Cosmin Manolache



O conto da semana é do romeno Cosmin Manolache (1973) e consta da BEF2010. Three Hundred Cups - 300 razões bastante humanas para se brindar.

O narrador passeia por Bucareste - a Catedral do Patriarca e as relíquias de São Demétrio o Novo. E divaga sobre os grandes herois nacionais: para ele, é somente através dos livros escolares que eles escapam da vida após a morte. E chega ao Museu Militar, infestado de estátuas desses personagens históricos.

Ele é bastante cético em relação à sua condição social e as reações que ela provocaria diante desses romenos ilustres: O que diria o Rei Burebista da Dácia quando o visse? De onde esse vira-lata veio? Fora daqui! Você é indigno da grande história que eu fundei!

Manolache é irônico diante desse panteão: certamente ele não gostaria de ver que, por um bom tempo, estive de pé na mesma fila de Santo Estevão o Grande, Radu o Belo, São Constantino Brancoveanu e os Irmãos Cantemir, todos eles, durante suas vidas, jamais perderam uma oportunidade para um pequeno saque, um pequeno incêndio...

No museu visita a parte de Aviação e Aeronáutica; é nesse momento que ficamos sabendo de Dumitri Prunariu, o primeiro - e único - cosmonauta romeno, que participou de uma missão em 1981 em companhia de um russo, Leonid Popov. Mais um heroi nacional a ser detonado.

Ao deixar o Museu, está pensando: para que ou quem os cosmonautas brindariam no interior da cápsula? O narrador lista nada menos que 300 razões; começando pela taça da banalidade, da compaixão e da confissão, passando pelos fantasmas, o absurdo, para finalmente terminar com a taça à 300ª taça...

É um texto intrigante. O autor está atualmente elaborando um roteiro para o cinema, e esse texto, segundo alguns, lembra o estilo de W.G.Sebald - como o alemão, neste conto Manolache se utiliza de fotos e imagens, além da temática da memória nacional.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ray Bradbury (1920-2012)



O autor Ray Bradbury em 1997 (Foto: AP/Steve Castillo)

Como ele bem dizia, não é necessário acabar com os livros para acabar com uma cultura. Basta não lê-los.

Príncipe das Astúrias 2012 para Philip Roth


O escritor Philip Roth - Richard Drew/AP

Se a Academia Sueca continua a ignorar Philip Roth, além de outros escritores americanos, os espanhois acabam de homenageá-lo. Veja aqui.

sábado, 2 de junho de 2012

Ariano Suassuna é o candidato "oficial" ao Nobel



O Senado indicou Ariano Suassuna como o candidato "oficial" do Brasil ao Nobel de Literatura. Veja aqui e aqui. O "oficial" fica por conta da chancela do Senado, e não tem qualquer significado para a Academia. Apesar disso, fica a torcida. De Suassuna li Auto da Compadecida, O Santo e a Porca e O Casamento Suspeitoso, ainda no colégio.

Conto da semana, de Samanta Schweblin


A argentina Samanta Schweblin (1978) foi publicada pela primeira vez no Brasil pela editora Benvirá (tradução de Joca Reiners Terron). Se não me falha a memória, o lançamento foi na Bienal Internacional de Brasília. Um dos contos que integram o volume Pássaros na Boca foi publicado, em outubro de 2010, no site Words Without Borders, em seu número especial sobre as novas vozes da literatura argentina. 

Em Conservas, a autora desenvolve um conto fantástico, ao mesmo tempo em que quebra uma ideia idílica da maternidade. Teresinha, grávida, está bastante insegura; as questões que a atormentam não são muito originais: Manuel, seu marido, a sogra, os preparativos para a chegada do bebê... Ela não está nada feliz com a situação e suas perspectivas são bastante negativas.

Mas Schweblin consegue esconder do leitor, com eficiência, a real intenção de Teresinha - afinal, ela quer ou não o filho?

E todos nós somos levados a pensar na sua preocupação com uma gravidez tranquila e segura, com os mais modernos e eficazes métodos científicos e psicológicos...

A visita ao famoso dr. Weisman nos leva a um determinado caminho. Ele prescreve uma dieta rigorosa a ser seguida pela gestante.

Mas, à medida em que o conto avança, percebemos que estamos diante de uma "gravidez ao contrário", ou à Benjamin Burton...

Samanta Schweblin consegue manter esse segredo até, rigorosamente, a última frase, que certamente causa desconforto no leitor mais habituado à praga politicamente correta. Ela vem sendo saudada como descendente direta de Cortázar, pela inserção do fantástico em situações comuns do dia-a-dia. Uma grande descoberta.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Digerindo Penas, de Flavio Aquistapace




Digerindo Penas
Flavio Aquistapace
Editora Patuá, 2012


Ao adquirir uma grave doença, um câncer, por exemplo, sem saber ao certo sua extensão e nem mesmo se ele o torna um paciente terminal, embora tudo paulatinamente indique que sim, confinando-o lentamente entre hipóteses tão mais absurdas porque mais palpáveis e concretas, subitamente, você se vê submetido a uma obsessão, uma loucura pela cura. Nada mais interessa em sua vida e, todo o seu tempo é, de uma hora para a outra, reordenado e regido na sua pulsão maior pelo corpo íntegro, distinto do que o ataca, o defenestra, despedaça. (p. 14-15)

Uma obra de difícil classificação é Digerindo Penas,  de Flavio Aquistapace, pela Editora Patuá, parceira da Biblioteca.
Sim, um romance. Mas não um romance convencional. Com referências a Kafka, Pessoa e Buber, entre outros, o autor passa rapidamente do romance para o teatro, o conto, a poesia e mesmo a correspondência, construindo uma obra altamente fragmentária e singular. Cada parte pode ser lida de forma independente, mas que em conjunto nos mostram a vida de Bruno Mantegão.

 

Ao mesmo tempo, é Bruno Mantegão, de 33 anos, quem está escrevendo um romance chamado Digerindo Penas, que tem uma relação muito próxima com o pai mas não com a mãe, com quem busca uma reaproximação (e se chama Nadinha...). A rejeição ("Quando você nasceu, Bruno, foi muuuuita frustração para mim. Muita!") é apenas um dos muitos fios condutores da história de Bruno/Flavio - uma verdadeira fratura exposta. É mais uma aposta da novíssima literatura brasileira.